A nova perna da alta ligada à inteligência artificial está premiando quem fornece a base física da tecnologia: chips avançados, memória e componentes usados em servidores e aceleradores de IA.
É aí que Taiwan e Coreia do Sul entram com força. Taiwan oferece exposição concentrada à fabricação avançada de semicondutores por meio da TSMC. A Coreia do Sul, por sua vez, dá acesso ao mercado de memória e de HBM — sigla em inglês para memória de alta largura de banda — por meio de Samsung Electronics e SK Hynix .
Também há um componente de curto prazo. Um relatório ligado à Reuters disse que as ações de chips ganharam impulso depois que a Intel projetou receita do segundo trimestre acima das expectativas de Wall Street, reforçando o otimismo com a demanda por semicondutores ligados à IA . Ou seja: os investidores não estão comprando apenas uma narrativa de longo prazo; eles também estão reagindo a balanços, projeções e sinais de que a demanda segue aquecida.
O mercado taiwanês é fortemente conectado à cadeia de semicondutores, e a TSMC é o principal motivo pelo qual investidores veem Taiwan como uma forma direta de apostar na IA.
Segundo o Taipei Times, o valor de mercado da bolsa de Taiwan chegou a quase US$ 4,3 trilhões, superando o Reino Unido no início de abril de 2026, em um movimento puxado principalmente por empresas que fornecem hardware essencial para IA .
Outros relatórios relacionaram a sequência de recordes em Taiwan aos resultados da TSMC. A Finimize informou que o principal índice local passou de 31.000 pontos pela primeira vez depois que a TSMC registrou alta de 35% no lucro trimestral e projetou crescimento de receita de cerca de 30% até 2026, em dólares .
Na prática, quando o mercado global quer exposição à construção física da infraestrutura de IA, Taiwan aparece como uma das rotas mais diretas em bolsa.
Na Coreia do Sul, a história é um pouco diferente. A alta está mais ligada aos chips de memória, especialmente aqueles usados em data centers e servidores de IA.
O Business Insider informou que a demanda por chips de memória impulsionada pela IA turbinou o mercado sul-coreano, enquanto analistas do Goldman Sachs ainda viam as ações do país como atrativas apesar da forte valorização .
Isso importa porque servidores e aceleradores de IA exigem grandes volumes de memória de alto desempenho. Esse segmento é justamente associado a Samsung Electronics e SK Hynix. Um relatório do South China Morning Post afirmou que investidores como Federated Hermes, M&G Investments e Invesco Asset Management estavam acima do peso em ações coreanas e abaixo do peso em Taiwan, citando a aposta de Samsung e SK Hynix em memória de alta largura de banda, valuations mais baratos e o fato de a alta taiwanesa já estar bastante disputada .
Mas a alta coreana também é concentrada. O Chosun informou que a fatia combinada de Samsung Electronics e SK Hynix no valor de mercado do KOSPI — principal índice acionário da Coreia do Sul — chegou ao recorde de 38,2%, em meio à expectativa de um “superciclo” de semicondutores puxado por IA . Essa concentração ajuda a explicar tanto a velocidade da alta quanto a vulnerabilidade do movimento.
A rotação para ações asiáticas tem três motores principais.
Primeiro, a Ásia oferece exposição direta à infraestrutura de IA. Relatórios apontam TSMC, Samsung e SK Hynix como nomes centrais da cadeia global de semicondutores, o que transforma a região em uma forma de investir na camada física da IA — não apenas em plataformas de software ou aplicativos finais .
Segundo, há percepção de melhora nos lucros. O Business Times informou que fundamentos sólidos e maior potencial de crescimento de resultados estavam reforçando o movimento para ações de tecnologia asiáticas, com TSMC, Samsung e SK Hynix já acumulando altas entre 8% e 16% no início de 2026 .
Terceiro, os próprios índices regionais estão sendo puxados por Coreia do Sul e Taiwan. O Kontan reportou que o índice MSCI de ações emergentes da Ásia subiu até 2% no início de 2026, impulsionado pelos mercados sul-coreano e taiwanês, que juntos representavam cerca de dois quintos do indicador . Para grandes gestores globais, isso significa que uma alta nesses dois mercados pode melhorar a leitura sobre toda a alocação em Ásia emergente.
Os riscos não desapareceram. O que os relatórios mostram é que, por enquanto, os investidores têm preferido olhar além deles enquanto as expectativas de lucro ligadas à IA seguem fortes.
O relatório de 27 de abril afirmou que investidores deixaram em segundo plano as negociações travadas entre EUA e Irã e os riscos inflacionários de uma possível interrupção prolongada nas exportações de energia, porque a tendência da IA era vista como muito poderosa . Outro relatório disse que a volatilidade causada por tensões no Oriente Médio ainda ressaltava o quanto os investidores permaneciam otimistas com IA .
A diferença é importante: não se trata de uma alta sem risco. Trata-se de um mercado em que a demanda por chips de IA virou a narrativa dominante.
A maior força dessa alta também é sua maior fragilidade: a concentração. Taiwan e Coreia do Sul estão subindo porque um grupo pequeno de líderes em semicondutores carrega uma fatia grande do desempenho dos mercados . Se os investimentos em IA desacelerarem, se a demanda por chips decepcionar ou se as projeções de lucro forem revisadas para baixo, a mesma concentração que impulsionou a alta pode acelerar uma correção.
Outro risco é o excesso de investidores na mesma tese. O South China Morning Post relatou que alguns gestores consideravam Taiwan uma aposta já “cheia” depois da sequência de recordes e preferiam a Coreia do Sul em parte por valuations mais baratos . Isso não significa que a tese taiwanesa de IA tenha perdido força, mas mostra que preço e posicionamento importam quando as expectativas ficam muito esticadas.
A incerteza comercial e regulatória também segue no pano de fundo. Um relatório ligado à Reuters em fevereiro afirmou que investidores avaliavam o impacto global de novas turbulências em torno da política de tarifas dos EUA, mesmo enquanto ações ligadas à IA na Coreia do Sul e em Taiwan atingiam recordes .
Coreia do Sul e Taiwan estão disparando porque a aposta em IA desceu para a cadeia de suprimentos. O dinheiro está indo para empresas que fabricam os chips e a memória por trás da infraestrutura de inteligência artificial, especialmente TSMC, Samsung Electronics e SK Hynix .
A migração para ações asiáticas é reforçada por expectativas de crescimento de lucros, exposição direta ao hardware de IA e, no caso sul-coreano, algum apelo de valuation em relação a uma Taiwan já bastante valorizada .
A ressalva é que essa ainda é uma alta estreita e liderada por semicondutores. Se a demanda por IA continuar aparecendo nos resultados das empresas, o movimento pode seguir atraindo capital. Se o ciclo dos chips virar ou as expectativas forem recalibradas, os mercados mais expostos ao boom também podem sentir o ajuste com mais força.