Houve diferenças regionais. A América Latina liderou o crescimento regional no trimestre, seguida por Oriente Médio e África . Para leitores brasileiros, esse dado chama atenção, mas não muda a leitura global: a própria Omdia atribui a leve alta do mercado principalmente à formação de estoques, não a uma aceleração ampla da procura por tablets
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A palavra-chave do trimestre é estoque. Quando a Omdia diz que o crescimento foi puxado por acúmulo de inventário, o recado é que o número de remessas não deve ser interpretado como sinal de um ciclo saudável de troca ou compra de tablets .
Isso ajuda a explicar a sensação de mercado “andando de lado”: o volume global ficou estável, mas o fundamento por trás dele parece mais frágil.
A Omdia afirma que os tablets se tornaram menos importantes para fabricantes em termos de margem, volume e valor total . Isso muda a forma como as empresas distribuem investimento, marketing e atenção.
Fabricantes de PCs estão priorizando notebooks e desktops, enquanto empresas que vendem smartphones e tablets estão concentrando mais esforços nos celulares, segundo a Omdia . O tablet continua existindo no portfólio, mas nem sempre é o produto que recebe o maior empurrão comercial.
A Omdia vê as fabricantes mais inclinadas, em 2026, a apostar em tablets premium, onde a demanda se mostrou mais resistente do que no mercado de massa .
Já os modelos de maior volume e menor preço enfrentam uma equação mais difícil. Segundo a Omdia, há pouco espaço para novas promoções ou aumentos adicionais de preço, e os tablets não contam com um grande gatilho de renovação comparável ao fim do suporte ao Windows 10, que afeta o mercado de PCs .
O mercado global quase parado escondeu desempenhos bem diferentes entre as maiores marcas. Apple, Huawei e Lenovo cresceram; Samsung e Xiaomi recuaram .
A reação das fabricantes não parece ser uma corrida por expansão ampla. O movimento é mais seletivo.
Modelos premium estão recebendo mais atenção porque, segundo a Omdia, essa faixa tem resistido melhor do que o mercado de massa . Isso ajuda a explicar por que a Apple conseguiu crescer em um trimestre quase estável, enquanto segmentos mais baratos continuaram sob pressão
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Ao mesmo tempo, parte da indústria trata tablets como prioridade secundária. A Omdia afirma que fabricantes de PCs estão voltadas a notebooks e desktops, enquanto empresas com smartphones e tablets dão mais foco aos celulares . Onde ainda há oportunidades, elas parecem mais específicas: expansão regional, como no caso da Huawei na Ásia-Pacífico, e projetos educacionais, como os que beneficiaram a Lenovo
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A Omdia projeta um segundo semestre de 2026 cauteloso, com os segmentos de maior volume sofrendo a maior pressão tanto em unidades quanto em valor .
Sem melhora clara da demanda do consumidor final, a história do mercado de tablets deve ser menos sobre crescimento generalizado e mais sobre onde cada fabricante consegue defender margem, vender modelos premium ou encontrar bolsões específicos de demanda.
A leitura final: a alta de 0,1% no 1º trimestre de 2026 não sinaliza uma renovação forte do mercado de tablets. Ela aponta para uma pausa sustentada por estoques, em um setor no qual os modelos premium resistem melhor e as grandes marcas escolhem com mais cuidado onde vale competir .