Em outras palavras: as GPUs fazem o cálculo intensivo, mas as CPUs coordenam todo o fluxo de trabalho. À medida que empresas implantam aplicações de IA em larga escala, essa camada de controle cresce rapidamente.
Um dos sinais mais claros dessa transformação é a mudança na arquitetura dos data centers.
Com a ascensão da IA agêntica, Lisa Su afirma que esse número está migrando para algo próximo de 1 CPU para cada GPU em novas implantações.
Esse aumento acontece porque os sistemas precisam lidar com:
Na prática, isso significa que CPUs deixam de ser apenas processadores auxiliares das GPUs e passam a representar uma parcela muito maior do poder computacional dos data centers.
Com essa mudança estrutural na infraestrutura de IA, as previsões para o mercado de CPUs cresceram rapidamente.
A própria AMD revisou suas estimativas e agora espera que o mercado total endereçável de CPUs para servidores cresça mais de 35% ao ano, ultrapassando US$ 120 bilhões até 2030 — cerca do dobro das projeções anteriores.
Analistas do Bank of America apresentam números semelhantes:
O consenso entre as previsões é claro: a infraestrutura de IA está se tornando muito mais intensiva em CPU do que se imaginava alguns anos atrás.
O crescimento também deve intensificar a disputa entre diferentes arquiteturas de chips.
Segundo estimativas do Bank of America para 2030:
Isso inclui iniciativas de gigantes de tecnologia — como provedores de nuvem que projetam seus próprios chips para reduzir custos e otimizar cargas de trabalho específicas.
Mesmo assim, AMD e Intel continuam com posição forte no ecossistema x86, que ainda domina grande parte dos servidores corporativos.
A corrida por infraestrutura de IA já está afetando a AMD em várias frentes.
Após divulgar previsões otimistas ligadas à demanda por chips de data center, as ações da empresa saltaram cerca de 12% no after‑market, refletindo o entusiasmo dos investidores com a expansão da IA.
Ao mesmo tempo, a empresa afirma que a demanda está pressionando a cadeia de suprimentos. A AMD disse estar trabalhando com parceiros de fabricação em Taiwan para ampliar a capacidade de produção, já que o mercado global de CPUs começa a ficar mais apertado.
Durante anos, a narrativa dominante dizia que a revolução da IA seria totalmente centrada em GPUs. Isso ainda é parcialmente verdade — elas continuam fundamentais para treinar e executar modelos.
Mas a próxima geração de sistemas, baseada em agentes de IA capazes de planejar e agir de forma autônoma, exige uma pilha de computação muito mais ampla.
Nesse cenário, as CPUs tornam‑se essenciais para coordenar tudo.
Se as previsões atuais se confirmarem, a próxima fase da infraestrutura de IA não será apenas sobre aceleradores cada vez mais rápidos — mas também sobre um papel muito maior das CPUs no coração dos data centers.