A projeção da Moody’s parte da expectativa de que a situação no Estreito de Ormuz não deve se normalizar rapidamente. Segundo a agência, há “pouca perspectiva de um acordo rápido e duradouro entre Estados Unidos e Irã”, o que significa que a região pode continuar perigosa ou instável para o transporte marítimo até 2026.
Com isso, analistas passaram a tratar o cenário não como uma interrupção momentânea, mas como um risco estrutural para os mercados globais de energia. A própria Moody’s afirma que a crise pode alterar padrões de comércio, rotas marítimas e a dinâmica de preços por um período prolongado.
O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo estreito que conecta o Golfo Pérsico aos mercados globais. Aproximadamente 20% do petróleo mundial e cerca de um quarto das exportações de gás natural liquefeito (GNL) passam por esse ponto estratégico.
Quando o fluxo por essa rota é ameaçado ou interrompido:
Durante a crise de 2026, o fechamento do estreito e a escalada militar na região provocaram o que analistas descrevem como a maior interrupção no fornecimento global de energia desde a crise do petróleo dos anos 1970.
O mercado reagiu rapidamente ao choque de oferta. O Brent ultrapassou US$100 por barril pela primeira vez em vários anos, com volatilidade crescente à medida que ataques e interrupções no transporte marítimo se espalhavam pelo Golfo.
No auge da fase inicial da crise, os preços chegaram a subir ainda mais, refletindo o temor de que uma grande parcela das exportações globais pudesse permanecer bloqueada.
Essa alta não reflete apenas a escassez imediata. Os preços também incorporam fatores estruturais, como:
Esses elementos ajudam a explicar por que a Moody’s acredita que os preços podem permanecer elevados mesmo que parte do transporte seja retomada.
O mercado de energia já começa a se adaptar ao que analistas chamam de “novo normal” de risco para o transporte no Golfo.
Quando o Estreito de Ormuz se torna inseguro ou imprevisível, produtores e compradores precisam ajustar suas estratégias:
Especialistas apontam que, mesmo que o estreito seja totalmente reaberto, o risco geopolítico criado pela crise pode alterar permanentemente padrões de comércio e logística no setor energético.
A interrupção no estreito colocou em risco uma parcela significativa da oferta mundial de petróleo transportada pelo Golfo. Com milhões de barris potencialmente comprometidos, compradores passaram a buscar fornecedores alternativos que não dependam da rota de Ormuz.
Isso tende a aumentar a importância estratégica de exportadores fora da região, como os Estados Unidos. Ainda assim, os relatórios disponíveis não apresentam um número definitivo sobre quanto as exportações americanas cresceram durante a crise.
O que já se observa é um movimento crescente de diversificação de fornecedores por parte de países importadores.
Apesar do forte impacto econômico, os esforços diplomáticos ainda não produziram um avanço decisivo.
Os Estados Unidos tentam formar uma coalizão internacional para restaurar a liberdade de navegação no estreito. No entanto, meses após o início do conflito — desencadeado por ataques dos EUA e de Israel contra o Irã — o canal continuava em grande parte fechado e as negociações avançaram pouco.
Governos do Golfo temem que mesmo um eventual acordo possa apenas reabrir parcialmente a rota marítima sem resolver as tensões que originaram a crise.
O alerta da Moody’s indica que o mercado não está mais lidando apenas com um choque temporário.
A crise no Estreito de Ormuz introduziu um prêmio geopolítico de longo prazo nos preços do petróleo. O risco persistente para o transporte marítimo, a fragilidade das negociações diplomáticas e a reorganização das rotas comerciais sugerem que o mercado global de energia pode entrar em uma fase prolongada de volatilidade.
Por isso, a expectativa de ver o Brent oscilando entre US$90 e US$110 por barril ao longo de 2026 já é considerada por muitos analistas não como um pico passageiro, mas como um novo patamar plausível para o petróleo no atual cenário geopolítico.