Nas semanas seguintes, os ETFs de Bitcoin à vista listados nos EUA sofreram uma hemorragia de capital. Os fundos registraram entre US$ 4,4 bilhões e US$ 5,4 bilhões em resgates líquidos durante uma histórica sequência de 13 dias de saídas, uma das mais longas e volumosas desde o lançamento desses produtos . A liquidação representou diretamente a decisão de investidores institucionais de reduzir o risco em suas carteiras, à medida que a perspectiva de juros "mais altos por mais tempo" se consolidava .
“O principal fator por trás da fraqueza do bitcoin foram as vendas de ETFs após os dados alarmantes da inflação americana de abril”, declarou Thielen, resumindo a relação direta de causa e efeito observada pela empresa .
Em contraste com a abertura das comportas nos ETFs, a venda da Strategy foi um evento estatisticamente irrelevante. A empresa vendeu apenas 32 Bitcoins — sua primeira transação do tipo desde 2022 — para cobrir despesas com dividendos . Durante esse mesmo período de suposta "realização de lucros", a empresa foi, na verdade, uma compradora líquida, adicionando cerca de US$ 2 bilhões em Bitcoin ao seu caixa .
A 10x Research é explícita ao afirmar que atribuir a queda à Strategy é um equívoco. A venda de algumas dezenas de Bitcoins não poderia impactar significativamente um mercado que absorvia bilhões de dólares em liquidações simultâneas. No entanto, a transação não passou despercebida. Para uma empresa com uma identidade cultural construída sobre o ethos de "nunca vender", a divulgação agiu como um golpe psicológico em um momento frágil, abalando momentaneamente o sentimento dos traders e quebrando uma narrativa poderosa .
As saídas dos ETFs não aconteceram no vácuo. Um conflito entre EUA e Irã elevou os temores no mercado de energia, impulsionando os preços do petróleo e alimentando preocupações inflacionárias mais amplas . Ao mesmo tempo, um relatório de emprego (payroll) dos EUA muito acima do esperado em 5 de junho praticamente eliminou qualquer expectativa remanescente de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) no curto prazo, alimentando especulações de que o Fed poderia precisar aumentar ainda mais os juros para esfriar a economia .
Esses eventos pressionaram o Bitcoin ao tornar outros ativos relativamente mais atraentes. Rendimentos elevados em portos seguros tradicionais, como o título do Tesouro americano de 10 anos, que permaneceu acima de 4,45%, ofereceram aos investidores institucionais uma alternativa direta e de menor risco a um ativo de risco que enfrentava fortes ventos contrários . Historicamente, juros mais altos comprimem o apetite por ativos que não geram rendimento, como as criptomoedas, e o mercado se ajustou de acordo.
O foco agora se volta totalmente para o próximo relatório do CPI de maio, previsto para ser divulgado por volta de 10 a 11 de junho de 2026. A 10x Research projeta que a inflação de maio virá em 4,3% . Este número é o dado mais importante para a trajetória imediata do Bitcoin.
Se o relatório do CPI confirmar uma inflação nesse patamar ou acima dele, isso reforçará a postura cautelosa (hawkish) do Fed que tornou as instituições relutantes em manter ETFs de Bitcoin. A liquidação poderia facilmente se estender, com o nível de US$ 60.000 atuando como um teto, e não como um piso. Uma leitura abaixo do esperado poderia desencadear um rali de alívio, mas o cenário base da 10x Research é que a inflação permaneça teimosamente elevada, mantendo o Bitcoin em uma fase de "baixa até que se prove o contrário" . A perspectiva da empresa para 2026 é totalmente condicionada à melhora dos dados de inflação o suficiente para finalmente permitir que o Fed sinalize um ciclo de cortes, uma perspectiva atualmente distante .