O colapso da rupia para a mínima histórica de Rp 18.000 em 4 de junho de 2026 está enraizado em uma vulnerabilidade dolorosa: a Indonésia é uma importadora líquida de petróleo, e o mundo está no meio de um choque de oferta de energia . A guerra em curso no Irã estrangulou os suprimentos globais, levando os preços do petróleo às alturas. No início de junho, o Brent era negociado a cerca de US$ 97 por barril, inflando dramaticamente o custo das importações de energia da Indonésia .
Esse choque do petróleo quase zerou o superávit comercial do país. Dados do início de junho mostraram que o superávit quase evaporou em abril de 2026, com o aumento do custo do petróleo e gás importados . O golpe na balança de transações correntes destruiu a confiança dos investidores, principalmente porque agravou preocupações já latentes sobre a disciplina fiscal do governo e os rumos da política econômica . Desde que o Presidente Prabowo Subianto assumiu o cargo em outubro de 2024, a rupia se desvalorizou mais de 14% .
A crise também expôs os limites da capacidade de intervenção do Banco da Indonésia (BI). Entre dezembro de 2025 e abril de 2026, as reservas internacionais do banco central despencaram US$ 10,27 bilhões, atingindo US$ 146,20 bilhões, enquanto os formuladores de políticas queimavam dólares para tentar frear a queda da moeda . No primeiro trimestre de 2026, as reservas já estavam no ponto mais baixo desde julho de 2024 .
Diante de uma derrocada histórica, o Banco da Indonésia abandonou o gradualismo. A autoridade monetária promoveu um aumento de 50 pontos-base em sua reunião ordinária de maio e, em seguida, surpreendeu os mercados com um aumento adicional e emergencial de 25 pontos-base, elevando a taxa de juros de referência para 5,5% para atrair capital e defender a moeda . Simultaneamente, as autoridades apertaram as regras cambiais pela terceira vez em dois meses, na tentativa de conter a demanda especulativa por dólares . O velho manual de estabilização dos emergentes está sendo usado de forma agressiva, mas a escala colossal da pressão externa significa que a rupia continua a atingir novas mínimas .
O won sul-coreano está sob um tipo de pressão diferente, mas igualmente implacável. Em março de 2026, a moeda despencou para o nível mais baixo em 17 anos, perto de 1.516 por dólar, antes de se estabilizar em torno de 1.514 em maio . Ao contrário da rupia, o won não está colapsando por um déficit comercial. A Coreia do Sul tem um superávit comercial substancial. A ruptura está acontecendo na conta de capital.
O motor mais visível é o surgimento das chamadas "formigas seohak" — uma legião de investidores de varejo coreanos que direcionaram quantias massivas de capital para ações no exterior, particularmente nos Estados Unidos . Essa saída estrutural de capital cria uma demanda persistente e implacável por dólares, enfraquecendo o won independentemente do saldo comercial. O Banco da Coreia (BOK) e o Instituto do Mercado de Capitais da Coreia identificaram essa mudança como um fator estrutural central, impulsionado em parte por uma população que envelhece e busca retornos mais altos no exterior em meio à desaceleração das perspectivas de crescimento doméstico .
Esse êxodo do varejo foi turbinado por um recorde de saída de investidores estrangeiros de portfólio. Entre 3 de março e o final de março de 2026, investidores estrangeiros venderam um total líquido de 30,3 trilhões de won (US$ 20,06 bilhões) em ações no índice de referência Kospi, uma liquidação apontada como o principal acelerador da queda da moeda . A debandada reflete um sentimento mais amplo de aversão a risco, ligado à guerra no Oriente Médio e a um movimento de saída de grandes nomes coreanos de semicondutores .
Aumentando a vulnerabilidade da moeda está a rápida expansão da oferta monetária doméstica, que cresceu no ritmo mais rápido em anos. Alguns analistas argumentam que a política fiscal expansionista criou um excesso de liquidez, sendo que grande parte desses recursos foi convertida em dólares e reinvestida nos Estados Unidos, em vez de na economia coreana . O Banco da Coreia se encontra em um dilema no qual aumentar os juros para defender a moeda poderia sufocar ainda mais uma economia que, segundo estimativas do FMI, cresceu apenas 0,9% em 2025 .
A resposta de Seul, até agora, baseou-se fortemente em retórica, em vez de ações drásticas nas taxas de juros. O presidente do BOK, Rhee Chang-yong, repetidamente classificou o won como "desalinhado" em relação aos fortes fundamentos econômicos da Coreia, sinalizando determinação para apoiar a estabilidade cambial e alertando que o banco central bloquearia investimentos direcionados aos EUA que ameaçassem essa estabilidade . Até o Departamento do Tesouro dos EUA se manifestou, afirmando que o enfraquecimento adicional do won no segundo semestre de 2025 foi "inconsistente com os fortes fundamentos econômicos da Coreia do Sul" .
No final de dezembro de 2025, as autoridades usaram uma intervenção verbal agressiva para arquitetar uma recuperação temporária . O governo também anunciou incentivos fiscais destinados a atrair o capital de volta, oferecendo benefícios sobre ganhos de capital de vendas de ações estrangeiras — desde que os recursos fossem reinvestidos em ações domésticas por pelo menos um ano . Até agora, essas medidas proporcionaram apenas um alívio fugaz contra a maré estrutural de saídas.