Os números do comércio refletem isso. As exportações chinesas de ímãs permanentes de terras raras para o Japão caíram significativamente e depois se recuperaram apenas parcialmente, mantendo fabricantes sob pressão meses depois .
Os ímãs de terras raras — especialmente os de neodímio‑ferro‑boro (NdFeB) — produzem campos magnéticos extremamente fortes em tamanhos pequenos. Essa característica permite motores e dispositivos mais compactos e eficientes.
Eles são essenciais para:
Sem esses materiais, muitas tecnologias modernas perderiam eficiência ou simplesmente não funcionariam da mesma forma.
A escassez se espalha por várias áreas da indústria japonesa.
Automóveis e veículos elétricos
Motores elétricos dependem fortemente desses ímãs, o que deixa montadoras e fornecedores expostos a interrupções no fornecimento.
Eletrônicos e componentes
Empresas que produzem sensores, capacitores e materiais eletrônicos também são impactadas. A fabricante japonesa TDK, por exemplo, afirmou que as restrições chinesas tornaram a obtenção de materiais “extremamente difícil”, levando a empresa a buscar novos fornecedores .
Defesa e aeroespacial
Como as restrições focam materiais de uso duplo, setores ligados a tecnologias militares são particularmente sensíveis a mudanças nas licenças de exportação.
Máquinas industriais e robótica
Motores de alta precisão usados em fábricas automatizadas também dependem desses ímãs avançados.
Em 2026, Pequim também ampliou o escrutínio sobre empresas japonesas envolvidas em cadeias tecnológicas sensíveis. Vinte entidades japonesas — incluindo a Subaru — foram colocadas em uma lista de controle de exportações, devido a dúvidas sobre a verificação de usuários finais de materiais de uso duplo .
Apesar de mais de uma década tentando diversificar fornecedores após uma crise semelhante em 2010, o Japão ainda depende bastante da China.
A dependência é ainda maior nas etapas de refino e produção de ímãs, onde a China domina o mercado. O país concentra mais de 90% da capacidade global de processamento de terras raras .
Isso significa que, mesmo quando o minério é extraído em outros países, ele frequentemente ainda precisa ser processado na China antes de entrar na cadeia industrial global.
A crise acelerou iniciativas para tornar o abastecimento mais resiliente.
Diversificação geográfica
Empresas japonesas estão investindo em mineração e processamento no Sudeste Asiático, incluindo Vietnã, Filipinas e Malásia, para criar uma cadeia de suprimentos “China‑plus” .
Cooperação internacional
Tóquio busca parcerias com países do G7 e outros aliados para reduzir a dependência de minerais críticos vindos da China .
Reciclagem e “mineração urbana”
O Japão também investe na recuperação de terras raras a partir de eletrônicos descartados e resíduos industriais.
Novas tecnologias de motores e ímãs
Fabricantes estão desenvolvendo motores que utilizam menos elementos raros pesados, como disprósio e térbio.
Mesmo assim, essas soluções levam anos para ganhar escala. No curto prazo, o domínio chinês sobre o refino e a produção de ímãs continua sendo um fator decisivo.
O problema enfrentado pelo Japão vai além de uma disputa comercial bilateral. Ele revela uma vulnerabilidade mais ampla da economia tecnológica global.
Materiais de terras raras são peças-chave para setores que vão de veículos elétricos a sistemas de defesa avançados. Como a China domina tanto o processamento quanto a produção de ímãs, qualquer restrição de exportação pode rapidamente gerar efeitos em cascata na indústria mundial.
Analistas esperam que gargalos de oferta e volatilidade de preços continuem sendo um risco para o mercado de terras raras ao longo de 2026 e possivelmente além .
Para o Japão — e para outras economias industriais — a lição é clara: encontrar fontes alternativas de minerais críticos é possível, mas substituir a posição dominante da China na cadeia de suprimentos levará tempo e investimentos significativos.