O gatilho teria sido um aumento de aproximadamente 20% nos preços de DRAM da Samsung no trimestre atual. A Nvidia repassou esse custo para os parceiros que montam e comercializam as placas .
Em julho de 2026, a AMD comunicou a parceiros de placas adicionais — conhecidos no setor pela sigla AIB, como Sapphire, ASUS e XFX — que os kits com GPU e memória GDDR subiriam cerca de 10% .
Foi o segundo aumento da empresa em menos de seis meses, impulsionado pela mesma escassez de memória GDDR6 . Como os contratos de fornecimento que ajudavam a manter os preços estáveis expiraram, parte da alta passou a chegar aos fabricantes e, depois, ao consumidor.
A Gigabyte compra kits da Nvidia e da AMD para montar suas próprias placas. Por isso, os reajustes acumulados na cadeia acabam se somando às margens e aos custos da fabricante.
A distribuidora japonesa CFD Sales sinalizou que pedidos de placas Gigabyte feitos a partir de agosto de 2026 teriam preços de 20% a 40% maiores . Em alguns pontos do mercado, os valores de varejo já chegaram a ficar 40% acima dos níveis registrados no começo do ano .
Nvidia, AMD e seus parceiros têm oferta suficiente de silício para os processadores gráficos. O gargalo está na memória soldada ao redor da GPU — principalmente GDDR6 e GDDR7 — e na capacidade industrial necessária para produzi-la .
Em outras palavras, a alta não ocorre porque faltam chips gráficos. Ela acontece porque a memória que alimenta esses chips ficou mais cara depois que a expansão da infraestrutura de IA passou a disputar a mesma capacidade de fabricação .
A pressão também atingiu o notebook mais popular da Apple, afetando tanto o preço quanto a disponibilidade.
Em 2 de agosto de 2026, o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, informou que o MacBook Air enfrentava uma “grande” escassez. Fontes de lojas disseram que os embarques estavam mais limitados do que conseguiam lembrar .
No início de agosto, as estimativas de entrega da Apple nos Estados Unidos chegavam ao fim do mês para a maioria das configurações e avançavam para setembro nos modelos com mais memória RAM . A restrição surgiu em plena temporada de compras para a volta às aulas .
A Apple aumentou em US$ 200 o preço do MacBook Air em junho de 2026, de US$ 1.099 para US$ 1.299 na configuração básica com chip M5 . Como o modelo havia sido lançado originalmente por US$ 999, a alta acumulada no ano chegou a US$ 300 .
Na mesma rodada, o MacBook Pro ficou até US$ 300 mais caro, enquanto o Mac Studio teve aumentos de até US$ 1.300 . Mesmo depois dos reajustes, a Apple continua com dificuldades para manter o MacBook Air disponível .
Os valores em dólares refletem os preços citados nas fontes e não representam necessariamente o preço praticado no Brasil, que pode variar conforme impostos, câmbio, distribuição e políticas locais.
O MacBook Air usa memória LPDDR e armazenamento NAND. Esses componentes competem por parte da capacidade de fabricação que vem sendo direcionada para a HBM — a memória de alta largura de banda usada pelos aceleradores de IA .
A lógica da indústria é financeira: HBM e memórias para servidores oferecem margens muito maiores do que os componentes voltados a computadores de consumo. Assim, fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron priorizam os pedidos de data centers, que conseguem pagar mais e fechar contratos antecipados.
Segundo Gurman, a escassez do MacBook Air está de fato ligada à crise contínua da memória . A Apple estaria tentando reduzir o impacto com novos fornecedores, mas aumentar o preço não foi suficiente para garantir estoque regular .
A memória de alta largura de banda, ou HBM, é essencial para aceleradores de IA como o Nvidia H200 e as plataformas Blackwell e Rubin. Cada H200 utiliza oito módulos HBM3E .
Grandes empresas de tecnologia, como Google, Microsoft e Meta, estão comprando os módulos disponíveis para ampliar seus data centers. Como esses clientes pagam preços elevados, os fabricantes de memória têm incentivo para priorizar a HBM em vez da DRAM convencional usada em PCs, notebooks e outros eletrônicos .
Samsung, SK Hynix e Micron controlam mais de 95% da produção mundial de DRAM e vêm deslocando capacidade de fabricação de DDR4, DDR5 e GDDR6 para HBM . A HBM pode oferecer margens de lucro de três a cinco vezes maiores do que a memória convencional .
A Samsung teria elevado os preços da DRAM para servidores em 60% a 70% no começo de 2026 . Os preços contratuais de DRAM subiram entre 90% e 98% no primeiro trimestre, enquanto outra alta de 58% a 63% foi projetada para o segundo trimestre .
Além disso, a fabricação de HBM consome muito mais capacidade de wafer do que a memória tradicional. A Micron indicou uma proporção aproximada de três para um em relação à DDR5: cada gigabyte de HBM exige cerca de três vezes a capacidade de wafer necessária para a memória padrão .
Uma nova fábrica de memória leva de 12 a 24 meses para chegar à produção em volume. Por isso, a maior parte das expansões anunciadas não deve entregar uma quantidade relevante de componentes antes de 2027 .
Mesmo quando as primeiras linhas começam a operar, a produção precisa ser ampliada gradualmente. E parte da nova capacidade também pode ser absorvida pela próxima geração de aceleradores de IA, mantendo a disputa com produtos de consumo.
As previsões variam, mas convergem em um ponto: não há uma solução rápida para 2026.
A expectativa mais realista é de preços elevados durante todo o restante de 2026 e boa parte de 2027. Algum alívio pode surgir no fim de 2027 ou entre 2027 e 2028, quando novas fábricas começarem a entregar volumes maiores — mas isso não significa que os preços voltarão imediatamente aos níveis anteriores.
Se a compra de uma GPU ou de um MacBook Air for urgente, esperar alguns meses não garante uma queda. As fontes indicam que a oferta e os preços provavelmente não melhorarão de forma relevante nos próximos 12 a 18 meses .
A diferença em relação a uma alta passageira é justamente a estrutura do problema: não se trata apenas de uma interrupção temporária na cadeia de suprimentos. A indústria está redirecionando capacidade para atender a expansão da inteligência artificial, e essa prioridade deve continuar influenciando o mercado de memória por vários anos.