A demanda de data centers de IA por memória DRAM e NAND está reduzindo a oferta para smartphones, elevando custos e pressionando as vendas globais. Previsões variam: IDC projeta queda de 12,9% nas remessas em 2026, Counterpoint registrou queda de 6% no Q1 e a Omdia estima retração anual de cerca de 7%.

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O mercado global de smartphones começou a enfraquecer em 2026, e o principal motivo está fora do próprio setor: a explosão da inteligência artificial. A rápida expansão de data centers voltados para IA está consumindo grandes volumes de memória DRAM e NAND, componentes essenciais também para smartphones. Com a oferta limitada, os preços desses chips subiram e acabaram encarecendo os dispositivos.
Esse desequilíbrio entre oferta e demanda está mudando a dinâmica da indústria: menos unidades sendo vendidas, custos mais altos para fabricantes e uma vantagem crescente para marcas premium.
Treinar e operar modelos de inteligência artificial exige enormes quantidades de memória de alto desempenho em servidores e data centers. Como esses clientes pagam mais, fabricantes de chips passaram a priorizar esse mercado em vez de eletrônicos de consumo.
Com menos DRAM e NAND disponíveis para smartphones, surgiram vários efeitos em cadeia:
Depois de cerca de dez trimestres de crescimento, o mercado global voltou a encolher. No primeiro trimestre de 2026, as remessas de smartphones caíram aproximadamente 4% a 6% em relação ao ano anterior, dependendo da metodologia usada pelas consultorias.
Smartphones dependem principalmente de dois tipos de memória:
A expansão da infraestrutura de IA pressionou o fornecimento de ambos. Como resultado, os custos estão sendo repassados para os aparelhos.
Relatórios associados à IDC indicam que o preço médio global de smartphones pode subir cerca de 14% em 2026, chegando ao recorde de US$ 523.
O impacto é ainda mais forte nos modelos baratos, onde a memória representa uma fatia maior do custo total do aparelho. Por isso, mercados sensíveis a preço e aparelhos de entrada são os mais afetados.
As principais consultorias concordam que 2026 será um ano de retração — mas divergem sobre o tamanho da queda.
IDC (visão mais pessimista)
A IDC projeta que as remessas globais de smartphones cairão 12,9% em 2026, para cerca de 1,1 bilhão de unidades — uma das maiores quedas anuais em mais de uma década.
Counterpoint Research
Dados preliminares indicam que as remessas globais caíram 6% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Omdia
A Omdia prevê uma contração mais moderada, de aproximadamente 7% no ano, assumindo que a pressão sobre os preços de memória comece a diminuir no segundo semestre.
Alguns relatórios do primeiro trimestre parecem inconsistentes.
Segundo a Omdia, esse crescimento temporário aconteceu porque fabricantes aceleraram o envio de aparelhos para distribuidores e varejistas antes de aumentos esperados nos preços de memória. Esse movimento inflou os números de remessas, mesmo com a demanda real mais fraca.
A escassez de memória está afetando regiões de forma diferente.
Sudeste Asiático
A Omdia relata que as remessas de smartphones caíram 9% no primeiro trimestre de 2026, para 21,6 milhões de unidades. Ao mesmo tempo, o preço médio subiu 19%, chegando a US$ 349, refletindo o aumento dos custos de componentes.
China
O mercado chinês foi relativamente mais resistente, mas ainda assim registrou queda de 1% no primeiro trimestre de 2026, para 69,8 milhões de unidades. Fabricantes elevaram preços para compensar custos mais altos de memória.
Oriente Médio
A região também sofreu pressão de demanda, influenciada tanto pelos preços mais altos quanto por tensões geopolíticas.
Em muitos mercados emergentes, fabricantes passaram a priorizar margens de lucro em vez de volume de vendas.
A crise de memória está ampliando a diferença entre smartphones premium e modelos de entrada.
Fabricantes de aparelhos de alto padrão têm algumas vantagens:
Já marcas focadas em modelos baratos trabalham com margens menores e dependem de preços competitivos — o que as torna mais vulneráveis ao aumento do custo da memória.
Uma exceção notável no cenário atual é a Apple.
Segundo a Counterpoint Research, a empresa cresceu cerca de 5% no primeiro trimestre de 2026 e conquistou aproximadamente 21% de participação global, liderando o mercado pela primeira vez em um primeiro trimestre.
Analistas atribuem esse desempenho a alguns fatores principais:
Essas características permitem à Apple absorver melhor o aumento dos custos de componentes em comparação com muitos fabricantes Android.
As previsões variam sobre a duração da escassez.
Enquanto investimentos em infraestrutura de inteligência artificial continuam crescendo rapidamente no mundo todo, o ritmo de recuperação do mercado de eletrônicos de consumo ainda é incerto.
O enfraquecimento do mercado de smartphones em 2026 revela algo maior: uma mudança estrutural na indústria de semicondutores.
Com a expansão acelerada da IA, memórias de alto desempenho estão sendo cada vez mais direcionadas para servidores e data centers — não para dispositivos de consumo.
Para a indústria de smartphones, isso significa menos componentes disponíveis, aparelhos mais caros e um crescimento mais lento até que a oferta de memória consiga acompanhar a nova onda de demanda impulsionada pela IA.
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A demanda de data centers de IA por memória DRAM e NAND está reduzindo a oferta para smartphones, elevando custos e pressionando as vendas globais.
A demanda de data centers de IA por memória DRAM e NAND está reduzindo a oferta para smartphones, elevando custos e pressionando as vendas globais. Previsões variam: IDC projeta queda de 12,9% nas remessas em 2026, Counterpoint registrou queda de 6% no Q1 e a Omdia estima retração anual de cerca de 7%.
Mercados emergentes e modelos de entrada são os mais afetados pelos preços mais altos, enquanto marcas premium como Apple mostram maior resiliência.