Os ministros das Relações Exteriores de Türkiye, Egito, Indonésia, Jordânia, Paquistão, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos divulgaram uma declaração conjunta condenando o vídeo.
Segundo esses governos, a exposição pública dos detidos constituiu uma humilhação deliberada e violou obrigações de Israel sob o direito internacional e o direito internacional humanitário.
A declaração afirmou que pessoas já detidas não deveriam ser submetidas a tratamento degradante ou ridicularização pública, destacando que esse tipo de conduta fere princípios básicos de dignidade humana.
A repercussão internacional levou também a críticas dentro do próprio governo israelense. O primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu repreendeu publicamente Ben‑Gvir pela divulgação do vídeo.
Netanyahu afirmou que a forma como o ministro lidou com os detidos “não está de acordo com os valores e normas de Israel”. Ao mesmo tempo, ele defendeu a interceptação da flotilha, argumentando que Israel tem o direito de impedir tentativas de violar o bloqueio naval imposto à Faixa de Gaza.
A crítica foi considerada significativa porque Ben‑Gvir faz parte da coalizão governista de Netanyahu, tornando o episódio um raro desacordo público dentro do gabinete israelense.
Diversos governos europeus reagiram com forte indignação ao vídeo e convocaram representantes diplomáticos israelenses para prestar explicações.
Essas reações ampliaram a pressão diplomática sobre Israel e transformaram o episódio em uma controvérsia internacional.
A flotilha envolvida no incidente fazia parte da Global Sumud Flotilla, um conjunto de embarcações que partiu da Türkiye com o objetivo declarado de levar ajuda humanitária a Gaza e desafiar o bloqueio naval imposto por Israel ao território.
Os organizadores afirmam que a missão busca chamar atenção para a escassez de alimentos, medicamentos e outros itens essenciais em Gaza. Já Israel considera essas iniciativas tentativas de violar um bloqueio que o país afirma ser legal e necessário por motivos de segurança.
As forças navais israelenses interceptaram as embarcações no Mediterrâneo oriental após alertar que os navios não deveriam se aproximar de Gaza.
Cerca de 430 ativistas, provenientes de dezenas de países, foram transferidos para navios israelenses e levados ao porto de Ashdod para detenção e procedimentos legais.
Após a pressão internacional gerada pelo vídeo e pelas detenções, Israel anunciou que todos os participantes estrangeiros seriam deportados. Segundo autoridades israelenses, os ativistas não israelenses foram expulsos do país após o processamento pelas autoridades.
O episódio mostra como um único vídeo — divulgado nas redes sociais por um ministro — rapidamente se transformou em uma crise diplomática envolvendo governos de várias regiões do mundo, além de reacender o debate internacional sobre o bloqueio de Gaza e as missões civis que tentam desafiá‑lo.