A Blockaid registrou aproximadamente US$ 49 bilhões em SAND pelo valor nominal, emitidos em mais de 400 transações. Nesse cálculo, a quantidade de tokens recém-criados é multiplicada pelo preço de mercado. Isso não significa que os invasores conseguiriam vender todo o volume pelo mesmo preço.
Um token pode apresentar um valor de cotação elevado e, ainda assim, não ter liquidez suficiente para sustentar vendas relevantes. Depois que o exploit foi identificado, a interrupção das pontes, as restrições de corretoras, a fragmentação da liquidez e a perda de confiança do mercado reduziram ainda mais o valor que poderia ser convertido em outros ativos.
Outros levantamentos on-chain apontaram cerca de 14,9 bilhões de SAND em endereços controlados pelos atacantes. Um relatório separado estimou que a extração efetiva teria sido muito menor, mencionando aproximadamente 14,75 milhões de SAND, cerca de US$ 675 mil na avaliação citada, além de 79,74 ETH. Esses números medem coisas diferentes — emissão total, saldos em carteiras e recursos realizados ou potencialmente realizados — e não devem ser tratados como estimativas equivalentes de prejuízo.
As evidências disponíveis não estabelecem um total final de extração que tenha sido verificado de forma independente. A conclusão mais segura é que a emissão não autorizada foi enorme em termos nominais, enquanto a perda econômica ficou substancialmente abaixo de US$ 49 bilhões.
A The Sandbox descreveu o impacto direto como inferior a 0,01% do fornecimento de 3 bilhões de SAND. Empresas de segurança e analistas de blockchain, por outro lado, destacaram a quantidade de tokens emitidos sem lastro ou mantidos em endereços associados aos atacantes.
As declarações não necessariamente medem o mesmo resultado:
Até que a The Sandbox publique seu post-mortem e uma prestação de contas mais completa, os números devem ser apresentados como medições diferentes do incidente — e não como um único total de danos já reconciliado.
A empresa afirmou que corrigiu e conteve a vulnerabilidade, bloqueou transferências pelas pontes afetadas e desativou o bridging envolvendo a Base e a BNB Smart Chain. Também informou que o SAND na Ethereum e na Polygon permaneceu intacto.
O projeto indicou que faria um snapshot das posições de liquidez afetadas, entraria em contato com provedores de liquidez elegíveis e publicaria um post-mortem detalhado. No período coberto pelos relatos disponíveis, as regras finais de compensação, os critérios de elegibilidade e os valores dos pagamentos ainda não haviam sido divulgados publicamente.
Por isso, é importante separar as medidas imediatas de contenção de qualquer plano posterior de recuperação ou compensação. Pausar a ponte impede a continuidade do caminho explorado, mas não resolve, por si só, o problema dos tokens já emitidos nem eventuais perdas dos provedores de liquidez.
O incidente levou corretoras sul-coreanas a adotar medidas de precaução. A Bithumb suspendeu depósitos e saques de SAND, enquanto a Upbit publicou um alerta de negociação por causa da atividade anormal na blockchain e da possibilidade de maior volatilidade.
Alguns relatos descreveram o preço do SAND como relativamente resiliente durante o incidente, em vez de registrar uma queda imediata. Essa reação não prova que o exploit tenha sido economicamente inofensivo: controles de corretoras e liquidez reduzida ou isolada podem atrasar a formação de preços. O efeito de longo prazo dependerá de como os tokens não autorizados e os pools afetados serão tratados.
O incidente do SAND e o exploit da KelpDAO, ocorrido em 18 de abril, envolveram aplicações construídas sobre infraestrutura cross-chain baseada no LayerZero. Os modos de falha relatados, porém, foram diferentes.
No caso da KelpDAO, os invasores comprometeram a infraestrutura usada por uma Decentralized Verifier Network (DVN) do LayerZero e exploraram uma configuração com um único verificador. A mensagem cross-chain falsificada fez a ponte liberar 116.500 rsETH, avaliados em aproximadamente US$ 292 milhões na época. O LayerZero descreveu o incidente como isolado à configuração do rsETH da KelpDAO.
O episódio do SAND, por sua vez, concentrou-se em permissões delegadas de contratos e no abuso da função approveAndCall para habilitar a emissão não autorizada de tokens. A diferença é importante: os dois casos expõem riscos distintos em sistemas cross-chain — a infraestrutura de verificação em um deles e o desenho de autorizações e permissões de contrato no outro. As evidências disponíveis não mostram que um único bug idêntico do protocolo LayerZero tenha causado os dois ataques.
A distinção mais importante é entre tokens criados, tokens mantidos em carteiras e valor efetivamente extraído. Uma falha em uma ponte pode gerar uma oferta nominal gigantesca sem produzir uma quantia equivalente de recursos que o invasor consiga gastar ou converter. Da mesma forma, uma emissão aparentemente menor ainda pode prejudicar provedores de liquidez e a confiança do mercado se liberar ou retirar ativos valiosos.
Para os usuários, as perguntas práticas são: qual rede e qual contrato foram afetados? Os depósitos e saques continuam pausados? O projeto publicou regras de elegibilidade e recuperação? Para os desenvolvedores, o incidente reforça a necessidade de revisar cada permissão delegada, caminho de emissão privilegiada e limite de autorização entre blockchains — não apenas a camada de verificação das mensagens.