Não foram relatadas vítimas desses ataques. A Ucrânia afirmou que as ações foram planejadas para degradar a capacidade de produção de combustível da Rússia e complicar sua logística militar .
Os ataques tiveram um efeito cascata imediato: a interrupção do tráfego na rodovia R-280 "Novorossiya", a principal rota terrestre para os caminhões-tanque que viajam da região de Rostov para a Crimeia ocupada . Isso desencadeou uma escassez de combustível que se agravou rapidamente na península, levando a um racionamento sem precedentes:
Mikhail Razvozhaev, governador de Sebastopol nomeado pela Rússia, reconheceu que as "dificuldades logísticas" eram uma consequência direta dos ataques de drones ucranianos que interromperam o corredor terrestre .
Concomitantemente, um incidente na maior usina nuclear da Europa acendeu um intenso jogo de acusações entre Moscou e Kiev.
No sábado, 30 de maio, um drone atingiu o prédio do hall da turbina da Unidade 6 da ZNPP. A estatal nuclear russa, Rosatom, afirmou ter sido um ataque ucraniano deliberado, declarando que o drone explodiu com o impacto, abriu um buraco na parede do prédio da turbina, mas não danificou o equipamento principal . A administração da usina, controlada pelo Kremlin, reportou o incidente à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica)
.
Após o relato, o Diretor-Geral da AIEA, Rafael Grossi, condenou qualquer ataque a uma instalação nuclear como "inaceitável", alertando que tais ações representavam "um risco muito real de um acidente nuclear" . Ele descreveu o ocorrido como um "incidente grave" que violou princípios-chave de segurança nuclear
.
Os inspetores da AIEA que visitaram o local documentaram danos consistentes com o impacto de um drone, incluindo avarias em uma escotilha de acesso metálica em um andar elevado do prédio da turbina e fragmentos no chão . Em um incidente separado no início do mês, em 3 de maio, um drone já havia danificado equipamentos de monitoramento meteorológico no Laboratório de Controle de Radiação Externa da usina, deixando-os inoperantes
.
Crucialmente, todas as partes — incluindo Rosatom e a AIEA — confirmaram que não houve liberação de radiação e que as estruturas de contenção do reator permaneceram intactas .
Esses ataques não são isolados. Eles fazem parte da estratégia intensificada da Ucrânia para erodir sistematicamente a logística militar, a receita de combustível e as capacidades de defesa aérea da Rússia . O impacto se estendeu para além das refinarias, com ataques ucranianos ao Terminal Marítimo de Petróleo em Feodosia, na Crimeia ocupada, prejudicando ainda mais as cadeias de suprimento de combustível no sul
.
A Rússia respondeu com imensas barragens retaliatórias de drones:
Enquanto a troca de ataques de longo alcance se intensifica, o incidente na usina de Zaporizhzhia — seja um ato deliberado ou um evento forjado — destaca um perigo persistente. A AIEA continua a insistir em máxima contenção e respeito aos cinco princípios estabelecidos para a proteção da instalação, alertando que a margem de erro em torno da maior usina nuclear da Europa permanece perigosamente pequena .