A imagem que marcou a partida foi a luta de Djokovic para se manter resfriado. Durante as trocas de lado, ele foi flagrado colocando bolsas de gelo no pescoço e sobre a cabeça, uma medida desesperada para controlar a temperatura corporal no calor opressivo . O desgaste físico ficou evidente quando o veterano foi arrastado para um tenso tie-break no terceiro set pelo jovem francês, que se alimentava da energia de uma apaixonada torcida local, ávida por uma grande zebra. Com a vitória, Djokovic melhorou seu cartel contra tenistas franceses em Roland Garros para um perfeito 14 jogos invictos e garantiu presença na terceira rodada do torneio parisiense pelo 21º ano consecutivo
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Além da batalha imediata para vencer, Djokovic usou sua coletiva pós-jogo para defender uma mudança significativa na forma como o torneio é conduzido. Ele propôs que os organizadores de Roland Garros considerassem adiar o início das partidas para o fim do dia, permitindo que os jogadores evitassem o calor mais intenso da tarde.
Djokovic foi direto ao criticar os protocolos atuais. “Em Grand Slams, isso não deveria ser um problema, porque temos muitas quadras”, declarou. “Se você está enfrentando uma onda de calor extrema, pode simplesmente adiar as partidas, começar às 16h, 17h e jogar até a noite” . Seu argumento é pragmático: a vasta estrutura de Roland Garros, com suas múltiplas quadras e agora com teto retrátil e iluminação no estádio principal, tem a capacidade logística para se adaptar ao clima extremo, algo que torneios menores não conseguem fazer. A política atual, em sua visão, representa um risco de saúde desnecessário para os atletas
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O calor não é apenas uma preocupação atlética; é também estrutural. O icônico saibro vermelho de Roland Garros corre o risco de rachar sob o sol intenso e implacável. Em uma resposta impressionante, os jardineiros da quadra têm encharcado o piso com água e sal entre as partidas e até mesmo durante os treinos para manter a integridade da superfície e os níveis de umidade adequados . Philippe Vaillant, chefe da equipe de manutenção das quadras, descreveu a situação como “sem precedentes”
. O ar quente e seco também está “cozinhando” o saibro, tornando-o uma superfície mais dura e rápida, alterando sutilmente o ritmo de jogo e eliminando parte da lentidão tradicional que define Roland Garros
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Enquanto Djokovic lutava por quase quatro horas na quarta-feira, a busca de Iga Swiatek por seu quinto troféu em Roland Garros começou com uma velocidade assustadora na segunda-feira, provando que a melhor defesa contra o calor é um ataque fulminante. A tetracampeã precisou de apenas 61 minutos para desmontar a adolescente australiana Emerson Jones por um sonoro 6-1 e 6-2 em sua partida de estreia . A atuação clínica, a primeira em um major desde sua parceria com Francisco Roig, ex-técnico de Rafael Nadal, sinalizou sua clara intenção de dominar o torneio
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A rodada de quarta-feira, no entanto, trouxe um grande choque no circuito feminino. A segunda cabeça de chave, Elena Rybakina, foi eliminada pela ucraniana Elina Svitolina, no que foi descrito como um “grande dia para a Ucrânia” . A derrota destruiu a perspectiva de um confronto de alto escalão na parte de baixo da chave e marcou o contínuo renascimento de Svitolina. Na chave masculina, Alexander Zverev avançou sem dificuldades, mas a história do torneio permaneceu firmemente fixada na batalha dos jogadores contra os elementos e, cada vez mais, contra as decisões de programação da própria organização
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O debate que Djokovic acendeu se concentra no já existente, mas controverso, protocolo de clima extremo. O Aberto da França utiliza uma medida chamada WBGT (Índice de Bulbo Úmido e Termômetro de Globo, na sigla em inglês), que leva em consideração temperatura, umidade, radiação solar e vento. Se o índice WBGT atinge 30,1°C, uma pausa de 10 minutos para resfriamento pode ser implementada entre os sets. Se atinge o punitivo limite de 32,2°C, o jogo pode ser totalmente suspenso — uma marca que é extraordinariamente difícil de alcançar no clima seco da primavera parisiense . Críticos argumentam que isso permite que as partidas continuem em condições visivelmente perigosas sem acionar uma suspensão, forçando os jogadores a simplesmente aguentarem. O Ministério dos Esportes da França já emitiu uma nota pedindo a todos os participantes que exerçam a máxima cautela e se mantenham hidratados
. A sugestão de Djokovic de reprogramar as partidas de forma proativa é um desafio direto a um protocolo que muitos consideram reativo e insuficiente.