Ambientado em um remoto fiorde norueguês — tipo de estreito marítimo cercado por montanhas típico da paisagem do país — o filme acompanha a família Gheorghiu após deixar a Romênia para viver na cidade natal da esposa.
A situação muda quando um professor percebe hematomas em uma das crianças, o que leva à intervenção do sistema de proteção infantil da Noruega. A investigação abre um debate na comunidade sobre métodos de criação, religião e diferenças culturais.
Com isso, Fjord transforma um drama familiar em uma discussão maior sobre conflitos entre valores progressistas e visões religiosas ou conservadoras na Europa contemporânea.
Desde a estreia em Cannes, o filme rapidamente se destacou entre os favoritos da crítica. Na première, recebeu 12 minutos de aplausos de pé, um dos maiores tempos de ovacionamento do festival naquele ano.
Críticos elogiaram especialmente as atuações e a construção tensa da narrativa, fatores que ajudaram o longa a se destacar em uma competição considerada por alguns analistas menos impactante do que em edições anteriores.
O júri da competição principal foi presidido pelo diretor sul‑coreano Park Chan‑wook, conhecido por filmes como Oldboy.
Entre os principais vencedores:
Os resultados reforçaram a forte presença de cineastas europeus e de obras com temas políticos ou sociais no festival daquele ano.
Antes da cerimônia final, diversos veículos internacionais descreveram a competição como “em aberto”, sem um grande favorito dominando o debate crítico. Muitos filmes receberam avaliações positivas, mas poucos geraram entusiasmo generalizado.
Outro ponto comentado foi a presença reduzida de grandes estúdios de Hollywood. Com menos estreias comerciais de alto perfil, a atenção do festival acabou voltada principalmente para produções independentes e internacionais.
A edição de 2026 também homenageou ícones da indústria com Palmas de Ouro honorárias. Entre os homenageados estavam Peter Jackson, John Travolta e Barbra Streisand, reconhecida por sua longa carreira como atriz, cantora e cineasta.
Streisand, vencedora de EGOT (Emmy, Grammy, Oscar e Tony), receberia o prêmio na cerimônia de encerramento, mas não pôde comparecer pessoalmente devido à recuperação de uma lesão no joelho.
Mesmo sem o nível habitual de grandes estreias e buzz global, o Festival de Cannes 2026 destacou o poder do cinema internacional. A vitória de Fjord consolidou novamente o prestígio de Cristian Mungiu e mostrou como histórias intimistas e culturalmente complexas continuam encontrando forte reconhecimento no principal palco do cinema mundial.