Relatos semelhantes surgiram em cidades como Nova York, onde colecionadores e revendedores chegaram a acampar por dias nas calçadas antes da abertura das lojas.
A lógica é simples: limitar os pontos de venda, anunciar uma data específica e deixar a demanda se manifestar publicamente nas filas — o que também amplifica o interesse nas redes sociais.
O mercado secundário reagiu quase imediatamente.
Antes mesmo da venda oficial começar, listagens de pré-venda apareceram no eBay e em outras plataformas. Muitas anunciavam os relógios por cerca de US$1.200 a US$1.500, e algumas aparentemente já haviam sido vendidas nessa faixa.
Comparado ao preço oficial de US$400–US$420, isso representa aproximadamente 3× a quase 4× o valor de varejo. Durante o lançamento, havia anúncios especulativos com preços ainda maiores, mas sem evidências consistentes de vendas nesse nível.
Esse comportamento é comum em colaborações da Swatch com marcas de luxo, nas quais parte dos compradores busca lucro rápido revendendo peças raras ou difíceis de encontrar.
Apesar da ligação com o icônico Royal Oak, a coleção não trouxe um relógio de pulso.
O Royal Pop é formado por oito relógios de bolso coloridos, inspirados em elementos de design do Royal Oak — especialmente o famoso bezel octogonal — reinterpretados no formato divertido da linha Swatch POP.
Entre os principais detalhes:
Os relógios podem ser usados no pescoço com um cordão, presos a acessórios ou exibidos como peça decorativa, reforçando o lado lúdico da colaboração em vez da formalidade típica da alta relojoaria.
A marca repetiu a estratégia que já funcionou em outras colaborações.
A coleção Royal Pop foi lançada exclusivamente em lojas selecionadas da Swatch a partir de 16 de maio, com uma regra rígida: um relógio por pessoa, por loja, por dia.
Essa limitação reduz compras em massa, mas não elimina o incentivo à revenda — principalmente porque a disponibilidade depende de poucas lojas e de estoque inicial limitado.
Alguns fatores se combinaram para criar um efeito semelhante ao MoonSwatch:
A força do nome Royal Oak
O Royal Oak da Audemars Piguet é um dos relógios esportivos de luxo mais famosos do mundo, geralmente associado a preços na casa de dezenas de milhares de dólares. Uma interpretação por cerca de US$400 — mesmo sendo um relógio de bolso — tornou essa estética muito mais acessível.
O modelo de lançamentos da Swatch
A marca já domina a fórmula de hype: parcerias inesperadas com casas de luxo, cores chamativas e distribuição limitada em lojas físicas.
Escassez planejada
Vendas restritas a poucas boutiques e limite por cliente criam um desequilíbrio inicial entre oferta e demanda.
Amplificação nas redes sociais
Filas, acampamentos e designs coloridos geram imagens facilmente compartilháveis, aumentando a visibilidade do lançamento.
A colaboração também trouxe um componente filantrópico. A Audemars Piguet anunciou que destinará 100% de sua parte dos lucros do projeto para iniciativas voltadas à preservação e transmissão das técnicas tradicionais da relojoaria.
Mesmo assim, o caráter beneficente não impediu a especulação. O principal atrativo para muitos compradores continuou sendo o acesso a um design ligado à AP e a raridade inicial da peça.
O Royal Pop mostrou que a fórmula de colaboração da Swatch ainda funciona com força total. Ao combinar:
Swatch e Audemars Piguet transformaram um relógio de bolso de US$400 em um evento global, com filas nas lojas e revendas chegando a cerca de US$1.200–US$1.500 logo após o lançamento.
Se esses valores vão se manter no longo prazo dependerá da produção total e da demanda contínua — mas o lançamento já mostrou que o chamado efeito MoonSwatch continua vivo.