Em 2025, mais de 140 empresas chinesas haviam lançado mais de 330 modelos distintos de humanoides . Os volumes de produção contam a história dessa escala: entre 13.000 e 18.000 robôs humanoides foram enviados globalmente no ano, com a esmagadora maioria vindo da China
. O Morgan Stanley projetou que as vendas domésticas dobrariam para cerca de 28.000 unidades em 2026
. Liderando o pelotão está a AgiBot, que capturou uma fatia estimada de 38% do mercado global, seguida de perto pela Unitree
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Essa produção é sustentada por uma vantagem de custo brutal. Um humanoide feito na China custa pelo menos 20% menos do que seus equivalentes estrangeiros, com edições básicas a partir de ¥180.000 (cerca de R$ 125.000) e o modelo mais barato com recursos completos, o Unitree G1, sendo vendido por apenas US$ 16.000 (aproximadamente R$ 80.000) . A própria Unitree é o emblema desse impulso: seu preço médio de venda desabou de ¥593.000 (US$ 85.000) em 2023 para ¥167.600 (US$ 25.000) em 2025, ao mesmo tempo em que suas margens brutas subiram para mais de 60% com o desenvolvimento próprio de componentes essenciais
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Em 2025, a Unitree registrou uma receita de ¥1,71 bilhão, um salto de 335% em relação ao ano anterior, e um lucro líquido ajustado de ¥600 milhões — um ponto fora da curva em um campo onde a maioria dos seus pares, como a UBTECH, ainda queima milhões em fluxo de caixa operacional . Mas até mesmo o brilho da Unitree está diminuindo: no primeiro trimestre de 2026, enquanto avançava para um grande IPO em Xangai, seu lucro líquido ajustado despencou 52% na comparação anual, pressionado pelos gastos crescentes em P&D e capacidade de produção
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Os números de produção são reais, mas os compradores, não. Uma avaliação precisa do mercado captura a desconexão: "Sem a demanda e sem essa escala do mercado, essas empresas não conseguem realmente entrar em produção em massa", observou um especialista . A maioria dos robôs enviados não vai para fábricas ou lares, mas para outras empresas de robótica para coleta de dados, laboratórios de pesquisa para experimentação, ou para palcos em eventos de relações públicas
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As barreiras práticas são imensas. Até o humanoide completo mais barato custa US$ 16.000, enquanto modelos de nível empresarial da Boston Dynamics e Agility Robotics chegam a US$ 150.000–US$ 250.000 ou mais . Isso torna o retorno sobre o investimento quase impossível de justificar para a maioria das tarefas do mundo real. Mais criticamente, os robôs em si não estão prontos: "A maioria dos robôs humanoides ainda é performática em vez de funcional, ficando aquém do necessário para trabalhar em ambientes confusos e imprevisíveis"
. Os "cérebros" de IA incorporada continuam sendo um gargalo, com dados de treinamento escassos para tarefas de manipulação fina
. As implantações atuais estão em grande parte confinadas a testes em fábricas e gerenciamento de tráfego — nichos estreitos que não conseguem absorver os milhões de unidades que estão sendo projetados
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O alerta mais extraordinário, no entanto, veio da própria Pequim. No final de novembro de 2025, Li Chao, porta-voz da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) — o principal órgão de planejamento econômico da China — fez algo quase impensável: declarou publicamente que o setor estava formando uma bolha. Ele apontou para mais de 150 empresas, a maioria startups, produzindo produtos "altamente similares" e enfatizou que "cenários comerciais comprovados e em larga escala permanecem extremamente limitados" . Seu apelo para evitar a "expansão cega" e guiar a indústria para a consolidação em vez do crescimento da produção martelou a extensão da ansiedade do Estado
. A reação imediata do mercado foi brutal: o índice de ações de robótica humanoide da China caiu cerca de 20%
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O alerta de Pequim não surgiu no vácuo. O Goldman Sachs já havia alertado sobre o excesso de capacidade que se formava à medida que a produção escalava sem pedidos reais . Do outro lado do mundo, o renomado roboticista Rodney Brooks soava simultaneamente o alarme sobre uma bolha de investimento em humanoides, observando que bilhões em dólares de capital de risco estavam sendo despejados em empresas com soluções de destreza limitadas no mundo real
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A dissonância cognitiva deste momento é extrema. A IDC projeta embarques globais de humanoides superiores a 510.000 unidades até 2030, e o Morgan Stanley já aventou a ideia de um mercado futuro de US$ 5 trilhões . O próprio Goldman Sachs multiplicou por seis a sua previsão de mercado entre 2022 e 2024
. Essas visões de longo prazo estão enraizadas em tendências demográficas e de automação reais, à medida que a escassez de mão de obra se intensifica nas economias industriais
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Mas o caminho para esse futuro não é uma linha reta. Ele passa diretamente por um presente definido por um padrão clássico de ciclo de hype: mais de 140 fabricantes quase idênticos lutando por um grupo minúsculo de compradores reais, com uma capacidade de produção que já ultrapassou a demanda autêntica por uma ampla margem. A intervenção de Pequim é o reconhecimento de que um abalo doloroso é provável, um em que apenas alguns players verticalmente integrados e genuinamente inovadores sobreviverão. Os robôs acabarão por encontrar o seu lugar, mas, por enquanto, a indústria construiu a fábrica antes de saber o que o mundo realmente quer comprar dela.