Essa estratégia elevou artificialmente os números de remessas no trimestre, porque as estatísticas contam aparelhos enviados aos canais de venda — mesmo que ainda não tenham sido comprados pelos usuários finais.
Além disso, fabricantes simplificaram seus portfólios e passaram a destacar modelos com menor capacidade de armazenamento, ajudando a manter os preços mais acessíveis em uma região conhecida por ser bastante sensível a preço.
A Samsung manteve a liderança clara no mercado latino‑americano no início de 2026.
O desempenho foi impulsionado pelo portfólio amplo da empresa — que vai desde modelos de entrada da linha Galaxy A até aparelhos premium da linha Galaxy — permitindo atender diferentes faixas de consumidores na região.
Outras marcas também contribuíram para o bom desempenho regional.
A Xiaomi ficou em segundo lugar, com cerca de 6 milhões de unidades enviadas e 17% de participação, apoiada por crescimento forte em mercados como América Central e Peru.
A Apple registrou uma das taxas de crescimento mais rápidas do trimestre. Os envios de iPhone na América Latina subiram 31% em relação ao ano anterior, com o México desempenhando papel central na expansão das vendas.
Enquanto isso, marcas emergentes como a HONOR continuam ampliando presença na região, refletindo a disputa crescente entre fabricantes chinesas por espaço em mercados emergentes.
O comportamento do consumidor variou bastante entre faixas de preço.
Segundo a Omdia, smartphones acima de US$ 500 mantiveram demanda relativamente resiliente, mostrando que consumidores de maior renda continuam comprando aparelhos mais avançados.
Já os segmentos de entrada e intermediários mais baratos enfrentaram maior pressão, principalmente por questões de poder de compra e pelo risco de aumento de preços.
Essa divisão entre um segmento premium resiliente e consumidores mais sensíveis a preço tem se tornado comum em diversos mercados emergentes.
Apesar do começo positivo do ano, analistas acreditam que o ritmo pode diminuir ao longo de 2026.
A principal preocupação é o aumento no custo dos componentes, especialmente memória. A oferta limitada e os preços mais altos de DRAM e NAND já estão pressionando fabricantes de smartphones em todo o mundo.
Quando o estoque antecipado enviado no início do ano se esgotar, as empresas provavelmente terão que aumentar os preços dos aparelhos para compensar os custos maiores de produção.
Em mercados sensíveis a preço — como muitos países da América Latina — isso pode reduzir a demanda e frear o crescimento.
A região entrou em 2026 com um impulso significativo depois de um 2025 forte. No ano passado, a América Latina registrou 140,5 milhões de smartphones enviados, o maior volume anual já registrado na região.
Mesmo assim, o desempenho nos próximos trimestres dependerá principalmente de dois fatores: como os fabricantes administram os custos crescentes de componentes e quanto desses aumentos será repassado ao consumidor.
Por enquanto, os dados do primeiro trimestre mostram um ponto importante sobre o setor: crescimento nas remessas nem sempre significa aumento real da demanda — às vezes reflete estratégia de estoque, logística e timing de mercado.
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