A Coreia do Sul se tornou um dos principais motores do rali asiático porque abriga fabricantes essenciais de memória usada em sistemas de inteligência artificial.
Entre eles está a SK Hynix, grande produtora de HBM (High Bandwidth Memory) — um tipo de memória ultrarrápida crucial para servidores de IA e GPUs avançadas. O entusiasmo dos investidores com a demanda por IA levou as ações da empresa a se aproximarem de um marco histórico de valorização e ajudou a impulsionar o mercado sul‑coreano como um todo.
Memórias de alta velocidade são essenciais para IA porque os modelos precisam transferir enormes volumes de dados entre processadores e memória em altíssima velocidade.
Taiwan também está no centro do rali. O país abriga alguns dos fabricantes mais importantes do mundo em semicondutores e eletrônicos.
Investidores apostam que o ecossistema tecnológico taiwanês — que inclui fabricação de chips, componentes e montagem eletrônica — continuará se beneficiando da explosão da demanda por hardware de IA. Em partes da cadeia asiática de semicondutores, a capacidade de produção já está reservada por anos devido ao volume de pedidos.
Empresas de tecnologia listadas em Hong Kong também avançaram, já que investidores buscam exposição a companhias ligadas ao crescimento da inteligência artificial e ao aumento global dos gastos em tecnologia.
Embora os polos de semicondutores dominem a narrativa, a alta se espalhou para outros mercados da região.
No Japão, o índice Nikkei tem operado próximo de máximas históricas, com a demanda ligada à IA ajudando a melhorar expectativas de lucro para empresas industriais e de tecnologia.
A Índia também se beneficia do clima global de maior apetite por risco, com investidores direcionando recursos para empresas relacionadas à tecnologia e às cadeias de suprimento asiáticas.
Apesar do entusiasmo com IA, a geopolítica continua sendo um fator decisivo para investidores — especialmente quando envolve tecnologia avançada.
A reunião entre Trump e Xi ocorre em meio a disputas comerciais, competição tecnológica e restrições dos EUA à exportação de semicondutores avançados para a China. Por isso, mercados acompanham qualquer sinal sobre possíveis mudanças nessas políticas.
Para investidores, estabilidade nas relações comerciais é fundamental. Muitos esperam que os dois governos evitem intensificar tensões para não prejudicar a rápida expansão do setor de IA.
Um dos temas mais sensíveis envolve o acesso da China aos chips avançados da Nvidia, líder global em hardware para inteligência artificial.
As restrições de exportação dos EUA já limitaram a venda de alguns dos processadores mais poderosos da empresa para clientes chineses, remodelando o mercado global de semicondutores. Qualquer mudança nessa política pode afetar significativamente empresas e bolsas em toda a Ásia.
Durante o encontro, surgiram relatos de que os Estados Unidos aprovaram licenças de exportação para que algumas empresas chinesas comprem chips de IA da Nvidia — algo interpretado pelos mercados como possível sinal de redução de tensões, embora a direção de longo prazo ainda seja incerta.
As ações chinesas são particularmente sensíveis a esse tema porque as restrições tecnológicas afetam diretamente as ambições do país em inteligência artificial.
Se a cúpula indicar um ambiente comercial mais estável ou flexibilização nas exportações de chips, investidores podem interpretar isso como positivo para empresas de tecnologia chinesas e para o desenvolvimento de IA no país.
Por outro lado, novas restrições ou aumento das tensões entre EUA e China poderiam pressionar essas ações, mesmo que o rali global da IA continue.
O atual rali das bolsas asiáticas está sendo impulsionado principalmente pela corrida global por infraestrutura de inteligência artificial — e pelas empresas que produzem os chips e componentes necessários para essa nova geração tecnológica.
Mas o ritmo desse movimento também depende da política internacional. A relação tecnológica entre Estados Unidos e China, especialmente em torno de exportações de semicondutores e do papel da Nvidia, continua sendo um dos principais fatores que podem sustentar — ou interromper — esse entusiasmo nos mercados.