A principal força que empurrou o Ethereum para abaixo do Tether foi uma queda de preço devastadora. O ETH atingiu sua máxima histórica de aproximadamente US$ 4.946–US$ 4.954 em agosto de 2025, impulsionado por fluxos de ETFs à vista e otimismo regulatório . Desse pico, o ativo entrou numa tendência de baixa prolongada e punitiva. Em junho de 2026, o declínio já havia se aprofundado significativamente, com o ETH perdendo cerca de 65–67% de seu valor desde o topo
. A aceleração das quedas no final de maio e início de junho transformou uma hemorragia lenta em uma debandada, encolhendo diretamente o valor de mercado em dólares que a oferta estável do USDT estava pronta para ultrapassar.
Por trás da derrocada do preço do Ethereum estava um êxodo persistente e sem precedentes dos ETFs de Ethereum à vista nos EUA. Em maio de 2026, esses fundos sofreram uma hemorragia de aproximadamente US$ 401 milhões em saídas líquidas, o terceiro maior volume mensal desde o seu lançamento . Esse fluxo negativo não se reverteu em junho, mas se intensificou, batendo uma sequência recorde: até 3 de junho, os ETFs registraram 17 dias consecutivos de saídas líquidas, a maior sequência já vista para esses produtos
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A venda institucional foi implacável. Só na última semana de maio, US$ 241 milhões saíram de fundos como o ETHA da BlackRock e o ETHE da Grayscale . A sangria continuou com uma saída de US$ 90,14 milhões em 2 de junho e outros US$ 44,4 milhões em 1º de junho
. Essa pressão sustentada esmagou a demanda compradora; os detentores de longo prazo de ETH cortaram sua atividade de compra em aproximadamente 80% entre 1 e 3 de junho
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A venda incessante derrubou importantes níveis de suporte técnico e psicológico. O ETH rompeu a marca crítica de US$ 2.000 em 1º de junho, o que desencadeou uma cascata de liquidações alavancadas e acelerou a venda institucional . Em 5 de junho, o ETH era negociado perto de US$ 1.735, seu menor nível sustentado em mais de dois anos
. Com o piso de US$ 2.000 perdido, analistas técnicos alertavam que o próximo grande teste era a zona de suporte de US$ 1.500, e uma eventual falha ali poderia expor o ETH à região de US$ 1.000–US$ 1.100
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Do outro lado da equação, o valor de mercado do USDT não cresceu por fervor especulativo, mas sobre uma base de solidez financeira tradicional. O emissor Tether publicou seu relatório de atestação do 1º trimestre de 2026, certificado pela BDO Italia, revelando um lucro líquido de US$ 1,04 bilhão no período . Esse lucro, gerado majoritariamente pelos juros de sua enorme carteira de títulos do Tesouro dos EUA, permitiu que as reservas excedentes da empresa atingissem a máxima histórica de US$ 8,23 bilhões
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O balanço do Tether mostrou ativos totais de US$ 191,77 bilhões contra US$ 183,54 bilhões em passivos, uma reserva robusta que inspirou confiança durante um período de alta volatilidade para ativos de risco . A empresa é hoje a 17ª maior detentora de dívida do governo americano, com mais de US$ 141 bilhões em títulos do Tesouro, que geram um fluxo de receita estável e significativo, totalmente descorrelacionado da ação de preço das criptomoedas
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O Flippening é o sinal mais potente até agora de uma mudança estrutural de paradigma na classe de ativos cripto. Os dois maiores ativos do mercado por capitalização — Bitcoin e agora o Tether — são cada vez mais valorizados por suas propriedades como reserva de valor ou instrumentos de liquidação, não pela utilidade especulativa de contratos inteligentes . Uma stablecoin pareada ao dólar ultrapassando a principal blockchain programável do mundo destaca uma preferência definitiva do mercado por liquidez como ferramenta de entrada e utilidade de liquidação, em detrimento da especulação com o token nativo.
Num ambiente macro de aversão ao risco, marcado por rendimentos elevados dos títulos do Tesouro, incerteza geopolítica e foco em preservação de capital, o capital inundou o instrumento que prometia estabilidade e liquidez profunda. Enquanto a volatilidade disparava em outros ativos, o valor de mercado do USDT cresceu precisamente porque ele é projetado para evitar a volatilidade, expandindo seu domínio quando o apetite por risco secou completamente . O paradoxo está completo: num mercado construído sobre a promessa de altos retornos de ativos voláteis, o instrumento mais capitalizado hoje é aquele concebido para valer exatamente um dólar.