Relatos indicam que instalações petrolíferas e outros complexos industriais estavam entre os alvos, enquanto autoridades russas registraram mortes nos arredores de Moscou e na região de Belgorod.
Operações desse tipo têm vários objetivos estratégicos:
A Ucrânia tem focado especialmente em refinarias, terminais de exportação e outras instalações de hidrocarbonetos, essenciais para a receita energética e para a logística militar russa. Mesmo quando os danos não são permanentes, ataques repetidos podem causar interrupções frequentes.
Embora os ataques profundos chamem mais atenção, analistas dizem que o impacto mais importante ocorre com drones de médio alcance atingindo áreas entre 30 e 180 km atrás das linhas russas.
Essa faixa abriga a infraestrutura que permite que unidades na frente continuem combatendo. Os alvos costumam incluir:
Ao atingir esses pontos, a Ucrânia força a Rússia a deslocar depósitos e centros de comando para mais longe da linha de frente. Isso aumenta o tempo de transporte, dificulta a coordenação e reduz a velocidade com que as tropas russas conseguem sustentar ataques repetidos.
Analistas descrevem esse efeito como um “golpe duplo”: os ataques de médio alcance prejudicam diretamente as operações no campo de batalha e também abrem caminho para ataques mais profundos contra infraestrutura estratégica.
Outra mudança importante é o uso crescente de drones interceptadores de baixo custo para derrubar drones de ataque russos.
A Rússia frequentemente lança grandes ondas de drones do tipo Shahed e drones‑isca para sobrecarregar as defesas aéreas. Derrubá‑los com mísseis caros cria um desequilíbrio financeiro: um interceptor Patriot pode custar mais de US$ 3 milhões, enquanto um Shahed pode custar apenas algumas dezenas de milhares de dólares.
Para lidar com isso, a Ucrânia passou a usar drones rápidos capazes de perseguir e destruir UAVs inimigos a um custo muito menor. Segundo autoridades militares ucranianas, cerca de um em cada três alvos aéreos destruídos sobre a Ucrânia agora é abatido por drones, e não por mísseis ou canhões.
Isso ajuda a equilibrar a economia da defesa aérea e preserva sistemas mais caros para ameaças de maior valor, como mísseis balísticos.
Mesmo com o aumento das barragens russas, a Ucrânia afirma estar melhorando sua capacidade de defesa.
Dados do Ministério da Defesa ucraniano indicam que a Rússia lançou 6.583 drones em abril de 2026, dos quais 5.861 foram derrubados ou neutralizados por guerra eletrônica, uma taxa de cerca de 89%.
Autoridades ucranianas também afirmam interceptar aproximadamente 90% dos drones e cerca de 80% dos mísseis de cruzeiro, embora esses números sejam declarações em contexto de guerra e não tenham verificação independente completa.
Ainda assim, a tendência sugere que o sistema de defesa aérea em camadas da Ucrânia — combinando mísseis, artilharia antiaérea, guerra eletrônica e drones interceptadores — tornou‑se mais eficaz contra ataques em massa.
Ofensivas modernas dependem de um fluxo constante de munição, combustível, comunicações, reforços e coordenação entre unidades. A rede de drones da Ucrânia mira cada um desses elos.
Ataques contra radares de defesa aérea e centros logísticos reduzem a proteção da retaguarda e dificultam o envio de suprimentos para a frente. Golpes contra postos de comando também podem atrapalhar a coordenação entre artilharia, drones e unidades de infantaria.
De acordo com o Institute for the Study of War (ISW), a vantagem crescente da Ucrânia no uso de drones provavelmente contribuiu para o enfraquecimento do ritmo das ofensivas russas e para dificuldades na preparação de novas operações de grande escala.
O efeito geral é cumulativo: forças russas ainda podem obter ganhos locais, mas manter impulso ofensivo em larga escala torna‑se mais difícil quando cadeias de suprimento, sistemas de comando e infraestrutura estão sob pressão constante de drones.
A campanha de drones da Ucrânia funciona porque opera simultaneamente em vários níveis. Ataques de longo alcance pressionam infraestrutura estratégica russa, golpes de médio alcance desorganizam logística e comando atrás da frente, e drones interceptadores baratos ajudam a defender o espaço aéreo ucraniano contra grandes barragens.
Nenhum desses elementos decide a guerra sozinho. Mas juntos eles criam um nível constante de desgaste operacional — aumentando custos, atrasando suprimentos e dificultando para a Rússia manter ofensivas sustentadas.