O ultimato se formalizou em 29 de maio, com uma declaração conjunta dos líderes de Rússia, Belarus, Cazaquistão e Quirguistão. O texto, publicado no site do Kremlin, ameaçava suspender a adesão da Armênia à UEE, citando "riscos significativos para a segurança econômica" do bloco devido à aproximação armênia com a UE . Os membros exigiram que a Armênia concordasse em realizar um referendo "o mais rápido possível" e definiram dezembro de 2026 como data para revisar as consequências de uma possível suspensão
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Pashinyan rejeitou a exigência de forma inequívoca em 1º de junho. Em um pronunciamento em vídeo, afirmou que "realizar um referendo é ilógico" até que a escolha entre os dois blocos "se torne inevitável". Enfatizou que a Armênia continuará trabalhando dentro do marco da UEE até que um pedido formal de adesão à UE ou a obtenção do status de país candidato torne a escolha concreta .
A Rússia deixou claro que a guinada armênia ao Ocidente terá um preço econômico elevado. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, alertou que, à medida que se aproximar da UE, a Armênia "enfrentará inevitavelmente problemas na UEE", ressaltando que Yerevan "não pode e não deve fazer isso às custas das finanças dos países da UEE" .
Dados oficiais da Armênia ilustram o que está em jogo: quase 40% do fluxo de comércio exterior do país está atrelado à UEE. Em 2025, o país arrecadou US$ 3,2 bilhões com exportações para os estados-membros do bloco, sendo US$ 2,9 bilhões apenas para a Rússia. Deixar o grupo significaria perder tarifas reduzidas unificadas de 5% e direitos de importação com isenção de impostos para uma vasta gama de produtos .
Autoridades russas projetaram consequências ainda mais drásticas. O vice-primeiro-ministro Alexei Overchuk advertiu que a saída da UEE faria as exportações armênias despencarem de 70% a 80%, com um aumento acentuado nos preços de energia e alimentos . O próprio Putin afirmou que a Armênia poderia perder ao menos 14% de seu PIB se deixasse a união
. O secretário do Conselho de Segurança, Sergei Shoigu, foi além, estimando uma contração do PIB entre 30% e 40% e advertindo que Yerevan "não deveria contar com subsídios generosos da UE"
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Como tática de pressão imediata, a Rússia baniu as importações de peixe armênio a partir de 1º de junho, dias antes do pleito .
Em 30 de maio, a Rússia convocou seu embaixador na Armênia, Sergei Kopyrkin, de volta a Moscou para "consultas" — um clássico sinal diplomático de profundo desagrado. A nota do Ministério das Relações Exteriores foi excepcionalmente direta, citando "as medidas tomadas pela liderança armênia para uma aproximação com a União Europeia, minando a cooperação no âmbito da União Econômica Eurasiática" .
O gesto ocorreu apenas um dia após a ameaça de suspensão da UEE e foi claramente coordenado para maximizar a pressão antes da votação de 7 de junho. Diversos veículos de imprensa noticiaram o fato como o mais recente sinal de uma rápida deterioração nas relações entre os antigos aliados .
As conversas telefônicas entre Pashinyan e Putin tornaram-se momentos recorrentes para cada lado sinalizar sua postura em meio à crise. O padrão começou de forma decisiva em 17 de janeiro de 2025, quando Pashinyan telefonou para Putin para explicar os passos legislativos da Armênia rumo à adesão à UE. A conversa provocou o que fontes descreveram como "avisos severos de Moscou" . Mais tarde, Pashinyan confirmou que a Rússia tinha "algumas preocupações" com o processo de adesão à UE
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Em 7 de outubro de 2025, Pashinyan ligou para Putin para parabenizá-lo por seu aniversário, e ambos enfatizaram publicamente a continuidade dos laços bilaterais . Em 1º de junho de 2025, Putin retribuiu a gentileza com uma ligação a Pashinyan por seus 50 anos
. Esses gestos recíprocos, embora cordiais na superfície, têm servido cada vez mais como palco para cada líder reafirmar suas posições irreconciliáveis — com Putin, mais recentemente, destacando os "laços de amizade Armênia-Rússia" em uma mensagem de aniversário, mesmo com a relação mais ampla se desintegrando
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A dimensão mais explosiva da crise veio à tona em 29 de maio, quando uma investigação da Reuters — baseada em entrevistas com cinco funcionários da inteligência ocidental e em documentos governamentais — revelou que a Rússia intensificou uma campanha secreta para impedir a reeleição de Pashinyan .
As medidas relatadas formam um verdadeiro arsenal de guerra híbrida:
Desinformação em escala industrial. Pesquisadores documentaram uma das mais extensas operações de desinformação pró-Kremlin dos últimos anos, tendo a Armênia como alvo com vídeos fabricados e sites falsos. Até o início de maio de 2026, 343 vídeos fabricados haviam sido publicados como parte da rede de desinformação "Matryoshka", que tem recorrido cada vez mais à inteligência artificial para gerar conteúdo. A campanha começou no início de março e só perde em escala para a operação observada durante a eleição de 2025 na Moldávia . Um informe do Instituto para o Estudo dos Direitos Humanos apontou que essas operações evoluíram para "esforços complexos e multicamadas para moldar a trajetória política da Armênia", abrangendo engenharia eleitoral, financiamento político ilícito e cooptação institucional
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Importação de eleitores. O elemento mais audacioso é um plano estimado em US$ 50 milhões para transportar dezenas de milhares de cidadãos com dupla nacionalidade russo-armênia até a Armênia, com o objetivo de influenciar o resultado da eleição . Algumas fontes citam um número de até 100 mil eleitores considerados para o transporte
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Apoio a um bilionário da oposição. Os relatórios de inteligência também indicam um respaldo russo a uma figura bilionária da oposição, como veículo para desafiar o mandato pró-Ocidente de Pashinyan .
O próprio serviço de inteligência estrangeira da Armênia já havia alertado, meses antes, em um relatório, que "operações de informação maliciosas por atores externos" estavam em andamento em larga escala, incluindo teorias da conspiração com o objetivo de "influenciar os votos" .
Embora as fontes consultadas não apresentem uma declaração isolada da UE usando a frase "condenação da coerção", vários estados-membros e instituições europeias têm apoiado de forma consistente o direito soberano da Armênia de buscar a integração europeia. A posição formal da UE — de que o caminho armênio para a Europa é uma escolha soberana — foi reafirmada repetidamente nos canais diplomáticos citados pela imprensa . A UE também acusou a Rússia de tentar "prejudicar a economia da Armênia e influenciar o resultado das eleições parlamentares"
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Pashinyan está apostando que uma vitória na eleição parlamentar irá consolidar o novo rumo geopolítico do país. Os primeiros indicadores sugerem que ele pode ter sucesso: uma pesquisa da Euronews publicada em 31 de maio o mostrava a caminho de uma vitória esmagadora e de um mandato pró-Ocidente. A reportagem destacou que Putin fez paralelos entre a Armênia e a Ucrânia, alertando para uma trajetória semelhante — uma comparação feita dias depois que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, deu seu "completo e total endosso" a Pashinyan .
O efeito cumulativo dos eventos é um rápido desmoronamento de décadas de aliança entre Armênia e Rússia. Pashinyan colocou seu futuro político em uma guinada ao Ocidente, e a eleição de 7 de junho se tornou um referendo de fato sobre essa escolha — quer o Kremlin consiga ou não forçar um plebiscito formal.