A ultrapassagem da Dogecoin foi tão simbólica quanto financeira. Um token de uma exchange descentralizada de alta performance para contratos perpétuos havia superado um ícone cultural sem receitas diretas de protocolo, transformando o marco em uma vitória dos ativos orientados por utilidade sobre as meme coins .
O principal propulsor da ação de preço do HYPE foi uma força estrutural, não especulativa. O Assistance Fund da Hyperliquid, um sistema automatizado on-chain, é programado para direcionar aproximadamente 97% a 99% de todas as taxas de negociação do protocolo para a compra de tokens HYPE no mercado aberto . Este fundo já gastou mais de US$ 1,3 bilhão em recompras, operando a uma taxa anualizada estimada em cerca de 7% do valor de mercado do token
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Os tokens comprados não são mantidos para sempre; uma quantidade enorme foi permanentemente removida de circulação. O protocolo já queimou aproximadamente 45 milhões de tokens HYPE, um número que representa quase 14,5% da oferta original de 310 milhões do airdrop e vale mais de US$ 2 bilhões . Em um único dia, 2 de abril de 2026, o mecanismo HyperCore queimou 49.360 HYPE, colocando o protocolo firmemente em território deflacionário líquido
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Esse “motor HIP-3” cria um ciclo econômico autossustentável: o uso do protocolo gera receita, a receita é direcionada para recompras e queimas automáticas, a consequente redução na oferta circulante cria pressão de alta no preço, o que atrai mais atenção e uso da exchange. O motor é alimentado por ganhos significativos; a Hyperliquid gera quase US$ 1 bilhão anualmente em receita, cerca de US$ 2 milhões por dia, e direciona 100% desse valor para recompras e queimas .
A ascensão do HYPE não aconteceu isoladamente. Ao longo do primeiro semestre de 2026, uma clara rotação de capital estava em curso. Investidores, cansados de tokens especulativos de memes com retornos médios negativos em seus lançamentos, começaram a migrar para protocolos com balanços verificáveis e mecanismos explícitos de captura de valor, como as recompras .
O Índice N7, uma cesta de protocolos “NeoFi” geradores de receita, superou o Bitcoin em cerca de 27% e o DeFi Core Index em aproximadamente 33% no acumulado do ano até março de 2026, quantificando a força da tendência . O HYPE emergiu como o principal garoto-propaganda dessa rotação, com seu valor de mercado superando o da Dogecoin como uma prova de conceito para toda a narrativa de receita-sobre-memes.
Catalisadores macroeconômicos amplificaram o movimento. A especulação em torno de um potencial ETF de HYPE à vista e uma compra estratégica de US$ 129,5 milhões em HYPE pela Hyperliquid Strategies em abril reforçaram a confiança institucional no design econômico do protocolo .
Apesar do poderoso motor de recompra, um risco significativo permanece. Uma análise de janeiro de 2026 revelou um cenário em que os potenciais desbloqueios de tokens — avaliados em aproximadamente US$ 219 milhões para um determinado período — superavam a capacidade máxima de recompra do protocolo, de cerca de US$ 49 milhões, por um fator de 4 para 1 .
A alta até os US$ 70 conseguiu absorver essa pressão vendedora latente, sugerindo que a demanda do mercado e a redução da oferta circulante pelas queimas foram esmagadoramente otimistas. No entanto, o desequilíbrio estrutural entre o valor dos desbloqueios e o poder de recompra é uma realidade persistente que pode testar a força do token em momentos de menor demanda geral.
Por enquanto, a história do final de maio de 2026 é um marco na estrutura do mercado cripto: um token de exchange de alta performance, respaldado por receita real e um mecanismo deflacionário, ultrapassando um dos ativos mais famosos do mundo e redefinindo o que é preciso para pertencer ao top 10.