Esse modelo mostra como marketplaces podem capturar a intenção de compra mais cedo, principalmente quando o consumidor ainda não sabe exatamente o que quer.
A Starbucks adotou uma abordagem semelhante para ajudar clientes a descobrir bebidas. Seu app em beta no ChatGPT recomenda cafés e outras bebidas com base em descrições de humor, preferências de sabor ou contexto — como clima ou horário do dia.
O cliente pode ajustar a recomendação e escolher o local de retirada dentro do ChatGPT. O pagamento, no entanto, continua sendo feito no aplicativo ou site da Starbucks, preservando o ecossistema de fidelidade da empresa.
Na prática, comandos como “algo doce e com sabor de nozes” ou “uma bebida quente para uma manhã tranquila” viram sugestões personalizadas do cardápio.
Empresas de seguros e plataformas de comparação estão entre as primeiras a adotar apps no ChatGPT, já que a contratação de seguros normalmente envolve responder perguntas e comparar opções.
Alguns exemplos mostram como esse processo está migrando para fluxos conversacionais:
Experian: o app Experian Insurance Marketplace permite revisar opções de cobertura, comparar estimativas de preços de mais de 37 seguradoras e fazer perguntas adicionais diretamente no ChatGPT.
Aviva: a seguradora lançou um app que gera uma cotação inicial de seguro residencial após o usuário responder algumas perguntas simples na conversa.
Go.Compare: o serviço de comparação de preços oferece um app que ajuda consumidores a pesquisar e comparar ofertas de seguro sem sair da interface do chat.
Naked: a insurtech desenvolveu um app capaz de gerar uma cotação final vinculante de seguro automotivo conectando‑se diretamente ao seu sistema de subscrição.
Analistas do setor observam que essas integrações transformam a compra de seguros — que antes dependia de formulários e tabelas comparativas — em uma experiência guiada por conversa que coleta informações gradualmente.
Decisões financeiras complexas também estão migrando para interfaces conversacionais.
A empresa de crédito imobiliário Newrez lançou no ChatGPT o Rezi Mortgage Assistant, um assistente que explica opções de financiamento imobiliário e home equity em linguagem simples. A ferramenta usa os próprios requisitos de empréstimo e conteúdos educacionais da empresa para responder perguntas e orientar potenciais clientes nas etapas iniciais de pesquisa.
A ideia é encontrar consumidores onde eles cada vez mais procuram respostas: dentro de assistentes de IA, e não apenas em sites tradicionais de instituições financeiras.
Observando esses exemplos, surge um padrão claro:
• A descoberta começa no ChatGPT. Usuários descrevem o que precisam em linguagem natural.
• A orientação acontece na conversa. Apps exibem recomendações, produtos ou cotações.
• A transação final geralmente acontece fora. Pagamento, contratação ou aplicação completa continuam nos sistemas das próprias empresas.
Esse modelo lembra mudanças anteriores na internet — como a transição da web para os aplicativos móveis — com uma diferença importante: a interface agora é conversacional, não baseada em navegação por páginas.
Para as empresas, a implicação é significativa. Se consumidores começam sua pesquisa em um assistente de IA, as marcas vão competir para ser o serviço que o assistente consulta quando alguém pede ajuda.
O crescimento dos apps no ChatGPT indica que assistentes de IA podem se tornar uma nova camada de descoberta digital, ao lado de mecanismos de busca, marketplaces e sites comparadores.
Nesse cenário, os serviços que terão vantagem talvez não sejam os que dominam SEO ou páginas de resultados — mas os que integram suas ferramentas diretamente às conversas onde as decisões começam.
Empresas como Etsy, Starbucks, Experian, Aviva, Go.Compare, Naked e Newrez estão basicamente testando o que significa distribuir produtos e serviços por meio da própria IA. À medida que assistentes conversacionais evoluem, esse canal pode se tornar um dos principais pontos de partida para decisões de compra do dia a dia.