Outra mudança importante é o modelo de operação. Evidências de fóruns clandestinos mostram que o REMUS está sendo vendido e distribuído como serviço comercial de malware.
Pesquisadores que analisaram discussões em fóruns underground encontraram mais de uma centena de postagens relacionadas à operação entre fevereiro e maio de 2026, indicando um ecossistema ativo envolvendo desenvolvedores, afiliados e compradores.
Esse tipo de modelo permite que diferentes criminosos usem o mesmo malware em campanhas próprias, ampliando rapidamente a escala dos ataques.
Uma das capacidades mais preocupantes adicionadas recentemente ao REMUS é o foco em extensões de gerenciadores de senha no navegador.
Relatórios indicam que o malware pode coletar dados associados a extensões de ferramentas como:
O malware busca informações em estruturas de armazenamento do navegador, como IndexedDB, utilizadas por extensões para guardar dados do cofre criptografado ou metadados operacionais.
Mesmo quando o conteúdo do cofre permanece criptografado, invasores ainda podem obter artefatos sensíveis, sessões ou metadados úteis para avançar em tentativas de acesso.
O motivo do interesse é simples: gerenciadores de senha concentram credenciais extremamente valiosas, como acessos a:
Assim, comprometer apenas um computador pode expor muito mais identidades do que o roubo tradicional de senhas de navegador.
Outra evolução central do REMUS é o foco em sequestro de sessão (session hijacking).
Em vez de apenas capturar login e senha, infostealers modernos também coletam:
Esses elementos representam estados já autenticados. Isso significa que invasores podem reutilizá‑los para acessar serviços sem precisar fazer login novamente, evitando muitas vezes os desafios de autenticação multifator (MFA).
Na prática, isso reduz drasticamente o tempo entre a infecção do dispositivo e o acesso indevido a sistemas corporativos.
O REMUS também introduziu mudanças na infraestrutura usada para controle do malware.
Pesquisadores identificaram o uso de EtherHiding, uma técnica que armazena dados de configuração de comando‑e‑controle em contratos inteligentes da rede Ethereum.
Em vez de depender apenas de domínios ou servidores que podem ser derrubados, o malware recupera instruções a partir de dados vinculados ao blockchain.
Como registros em blockchain são descentralizados e difíceis de remover, essa abordagem pode tornar a infraestrutura do malware mais resiliente a tentativas de interrupção.
O REMUS não é o único infostealer evoluindo rapidamente.
Pesquisadores também observaram mudanças importantes no Gremlin Stealer, que seguiu um caminho um pouco diferente de evolução.
Uma nova variante do Gremlin passou de um simples ladrão de credenciais para um kit modular de malware, com novos módulos e técnicas de evasão mais avançadas.
Segundo a equipe Unit 42 da Palo Alto Networks, versões recentes utilizam um empacotador que aplica virtualização de instruções, convertendo o código do malware em um bytecode personalizado executado por uma máquina virtual privada — algo que dificulta muito a engenharia reversa.
Em resumo:
Apesar das diferenças, ambos refletem a mesma tendência: infostealers estão se tornando mais sofisticados e difíceis de detectar.
A ascensão de malware como o REMUS mostra uma mudança clara nas prioridades dos atacantes.
Em vez de mirar apenas senhas isoladas, os infostealers modernos tentam capturar todo o ambiente autenticado do usuário — incluindo sessões ativas, tokens, credenciais armazenadas e artefatos de identidade.
A escala do problema já é enorme. Estimativas de segurança indicam que campanhas de infostealers roubaram cerca de 1,8 bilhão de credenciais apenas em 2025.
Essa evolução traz várias implicações para empresas e equipes de segurança:
Por isso, organizações precisam ir além de simples redefinições de senha e investir em medidas como revogação de sessões, verificação de confiança de dispositivos, ferramentas de detecção e resposta em endpoints (EDR) e monitoramento de comportamentos de autenticação anômalos.
O REMUS mostra como o ecossistema de infostealers está evoluindo rapidamente. O que começou como um ladrão de credenciais ligado ao Lumma agora funciona como uma plataforma escalável focada em roubo de identidade e sequestro de sessões.
Junto com evoluções vistas em outras famílias de malware, como o Gremlin, o cenário indica uma mudança clara: invasores não estão mais interessados apenas em senhas — eles querem acesso autenticado completo.
Para empresas, isso significa que um único dispositivo comprometido pode se transformar em um incidente de segurança muito mais amplo em questão de minutos ou horas.