Relatórios do setor também mostram que muitos dos aplicativos mais rentáveis — como Pump.fun, Axiom, Raydium e Jupiter — são voltados principalmente para traders de varejo .
Esse padrão reforça um ponto importante: mesmo com novos casos de uso surgindo, a especulação e o trading continuam sendo motores centrais da economia da Solana.
Mesmo com a queda na atividade de memecoins, a infraestrutura de negociação permaneceu extremamente forte.
No 1º trimestre de 2026, a Solana respondeu por cerca de 41% de todo o mercado de trading spot on‑chain, com aproximadamente US$ 284,5 bilhões em volume negociado em exchanges descentralizadas (DEX) durante o período .
Esse volume ajudou a manter a rede entre as blockchains mais ativas do mercado, mesmo em um momento de desaceleração geral do setor cripto.
A combinação de alta capacidade de processamento e taxas baixas continua sendo um diferencial importante para aplicações que exigem execução rápida e grande volume de transações.
Ainda assim, essa liderança também reforça a dependência estrutural da rede em relação ao trading — seja de memecoins, tokens DeFi ou ativos tokenizados.
A diversificação mais clara veio do crescimento dos RWAs (Real‑World Assets) — ativos financeiros tradicionais representados como tokens na blockchain.
Até o final do 1º trimestre de 2026, a capitalização de mercado desses ativos na Solana cresceu 43% trimestre contra trimestre, chegando a cerca de US$ 2,01 bilhões .
Esse avanço foi impulsionado por produtos como:
Entre os exemplos mais citados estão o fundo BUIDL da BlackRock, além de produtos ligados à Ondo Finance, que ajudam a levar instrumentos financeiros tradicionais para a infraestrutura blockchain .
Paralelamente ao avanço dos RWAs, a presença de instituições financeiras tradicionais no ecossistema Solana também aumentou.
Grandes empresas do setor financeiro e de pagamentos — incluindo BlackRock, Visa e Citi — passaram a explorar ou implementar produtos ligados à rede, como fundos tokenizados, sistemas de liquidação e infraestrutura de pagamentos .
Alguns indicadores on‑chain reforçam essa tendência:
Esses números indicam que a rede está sendo utilizada não apenas para trading cripto, mas também para pagamentos, liquidação financeira e produtos de mercado de capitais .
A grande questão estratégica para a Solana é a qualidade de sua atividade econômica.
Mesmo com novos setores surgindo, muitos dos aplicativos mais lucrativos continuam focados em traders de varejo. Isso torna as receitas da rede altamente cíclicas e dependentes do apetite especulativo do mercado .
Além disso, alguns novos segmentos — como plataformas de trading alavancado ou certos produtos tokenizados — ainda podem depender fortemente de atividade de mercado, em vez de uso econômico cotidiano.
Para que a Solana se consolide como infraestrutura financeira estável, áreas como RWAs, stablecoins, pagamentos e liquidação institucional precisariam gerar atividade recorrente e menos volátil.
O 1º trimestre de 2026 aponta para um ecossistema em transformação.
Em outras palavras, a Solana já é mais diversificada do que durante o auge das memecoins. Porém, os dados também indicam que a rede ainda não se desvinculou totalmente da especulação — ela apenas adicionou novas camadas financeiras sobre uma base fortemente orientada ao trading.
Se esses novos setores crescerem o suficiente para equilibrar essa dependência, isso provavelmente definirá a próxima fase da evolução da Solana.