Na Rússia, o Dia da Vitória, celebrado em 9 de maio, marca a vitória soviética sobre a Alemanha na Segunda Guerra Mundial e é uma das principais vitrines do imaginário militar russo . No desfile de 2026, a TASS divulgou imagens de soldados norte-coreanos cruzando a Praça Vermelha em formação, carregando símbolos nacionais e comemorativos
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A imprensa sul-coreana, ao relatar a cobertura da agência estatal norte-coreana KCNA, disse que uma coluna do Exército Popular da Coreia formada por integrantes das forças terrestre, naval e aérea participou do evento a convite da Rússia . Esse detalhe é importante: a presença não foi apresentada como visita protocolar discreta, mas como reconhecimento militar em um dos palcos políticos mais carregados de significado para Moscou.
O ponto central não é apenas que a Coreia do Norte apoia a Rússia no plano diplomático. É que soldados norte-coreanos agora ocupam um espaço visível no teatro político de guerra russo.
Essa diferença pesa porque o desfile veio depois de formas mais profundas de cooperação. O Dong-A Ilbo informou que a aparição ocorreu após o envio de tropas norte-coreanas para a guerra na Ucrânia e a assinatura de um tratado de defesa mútua entre os dois países . O Lowy Institute, por sua vez, descreveu a parceria Moscou-Pyongyang como uma relação que entrou em território inédito, citando a decisão de Kim Jong-un de enviar um contingente adicional de 11 mil soldados para combater na região russa de Kursk e mencionando relatos de rotação de tropas e fluxo de armas
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Nesse contexto, a marcha na Praça Vermelha parece menos uma cortesia cerimonial e mais uma validação pública de uma cooperação conectada à guerra.
Para Moscou, colocar soldados norte-coreanos no desfile ajuda a transmitir a ideia de que a Rússia não está sozinha em seu confronto mais amplo com o Ocidente. Uma análise do NEST Centre afirmou que a participação norte-coreana oferece à Rússia uma forma de exibir uma coalizão antiocidental emergente, ainda que a contribuição direta de Pyongyang ao esforço de guerra permaneça limitada .
O desfile também incorpora a Coreia do Norte à narrativa russa do Dia da Vitória: aliados, sacrifício, resistência e continuidade militar. Para o Kremlin, é uma mensagem útil em uma guerra que Moscou tenta apresentar como parte de uma disputa geopolítica maior, e não como uma campanha isolada.
Para Pyongyang, o ganho principal é status. Ver seus soldados marchando pela Praça Vermelha dá ao regime prestígio interno e reconhecimento externo como parceiro militar de uma grande potência.
Segundo o NEST Centre, a relação também permite à Coreia do Norte sinalizar a Pequim que tem alternativas estratégicas e que pode se afirmar como ator internacional relevante . A dimensão militar é igualmente relevante: se os relatos sobre deslocamentos e rodízios estiverem corretos, forças norte-coreanas passam a ter contato com condições de combate muito diferentes de exercícios em tempos de paz
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A mensagem de Kim Jong-un a Vladimir Putin pelo Dia da Vitória reforçou o peso político do desfile. Um relato do Chosun Ilbo, citando a KCNA, disse que Kim enfatizou que a Coreia do Norte cumpriria suas obrigações de tratado com a Rússia e continuaria desenvolvendo a parceria estratégica abrangente entre os dois países .
Isso não significa que cada cláusula será acionada automaticamente. Mas, quando a linguagem de tratado aparece ao lado de relatos de envio de tropas e de uma parada militar pública, a leitura mais prudente é que os dois governos querem que a parceria seja entendida como um compromisso de segurança real, não apenas como teatro diplomático .
A estreia norte-coreana em Moscou não demonstra, por si só, que Rússia e Coreia do Norte criaram um comando militar integrado. Também não prova que qualquer crise envolvendo um dos dois países acionaria automaticamente operações conjuntas.
O que ela mostra com mais segurança é outra coisa: uma aliança que está ficando mais pública, mais militarizada e mais ligada à guerra na Ucrânia. A conclusão mais bem sustentada pelas evidências não é a de uma fusão operacional completa entre Moscou e Pyongyang, mas a de que ambos os governos agora fazem questão de anunciar uma parceria de guerra que combina símbolo, tratado e cooperação de campo relatada .