A hospitalização de Mohammadi começou após uma emergência médica ocorrida ainda na prisão. No início de maio, ela foi levada às pressas de sua detenção na cidade de Zanjan, no noroeste do Irã, para um hospital após desmaiar e sofrer uma crise cardíaca severa. Relatos apontam episódios de perda de consciência antes da transferência.
Exames e declarações divulgadas posteriormente por sua fundação indicam que sua condição cardiovascular piorou significativamente. Um procedimento de angiografia revelou bloqueios importantes em duas artérias, sinal de doença vascular avançada e da necessidade de tratamento contínuo e monitoramento médico.
Seu irmão já havia informado à imprensa que ela precisava de atendimento cardíaco especializado em Teerã para tratar uma condição considerada potencialmente fatal.
Mesmo após deixar o hospital, avaliações médicas citadas por apoiadores sugerem que Mohammadi pode precisar de meses de acompanhamento e tratamento para estabilizar sua saúde.
Familiares e apoiadores afirmam que a crise de saúde não pode ser separada das condições que ela enfrentou no sistema prisional iraniano.
Declarações da Fundação Narges Mohammadi e de defensores de direitos humanos afirmam que ela teria enfrentado atrasos ou acesso inadequado a cuidados médicos durante o período de detenção, além de intensa pressão psicológica.
Organizações internacionais de direitos humanos já levantaram preocupações semelhantes sobre o tratamento médico de prisioneiros no Irã, citando casos em que o acesso à saúde teria sido restrito ou atrasado para detentos.
Ainda assim, as alegações de que as condições carcerárias tenham contribuído diretamente para a atual doença cardíaca de Mohammadi vêm principalmente de familiares e organizações de apoio e não foram confirmadas de forma independente por autoridades médicas.
Apesar de estar fora da prisão, Mohammadi não está completamente livre.
As autoridades iranianas suspenderam temporariamente a execução de sua pena e a liberaram mediante pagamento de uma fiança elevada para que pudesse receber tratamento médico.
Isso significa que sua condenação continua válida e que ela pode ser obrigada a retornar à prisão quando o período de liberação por motivos médicos terminar. O valor exato da fiança não foi divulgado publicamente.
Por esse motivo, sua fundação e diversos defensores internacionais afirmam que a situação atual representa apenas um alívio temporário — e não uma solução definitiva para seu caso.
A crise de saúde da ativista intensificou as cobranças internacionais sobre o governo iraniano.
A presidente do Comitê Nobel norueguês declarou, no início da crise, que a vida de Mohammadi estava "nas mãos" das autoridades iranianas e pediu que ela fosse libertada para receber tratamento com sua própria equipe médica.
Além disso, mais de 100 laureados com o Nobel assinaram declarações pedindo que o Irã conceda sua liberdade plena e incondicional, além de garantir acesso adequado a tratamento médico.
Para esses apoiadores, uma liberação médica temporária não oferece proteção suficiente se houver risco de ela ser enviada novamente à prisão antes de se recuperar completamente.
Narges Mohammadi é uma das ativistas de direitos humanos mais conhecidas do Irã. Ela recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2023 por sua atuação em defesa dos direitos das mulheres e por sua oposição à pena de morte no país.
Ao longo de anos, passou repetidas vezes pela prisão devido ao seu ativismo, e seus problemas de saúde durante a detenção têm aumentado a visibilidade internacional de seu caso.
Por enquanto, sua alta hospitalar indica estabilização — não recuperação completa. Mohammadi permanece em casa sob suspensão temporária de sua pena, enfrentando desafios médicos sérios e uma situação jurídica incerta, enquanto a pressão internacional sobre as autoridades iranianas continua crescendo.