O Bitcoin cruzou brevemente os US$ 85 mil em setembro de 2026, patamar que o JPMorgan estima como custo médio para produzir uma unidade da criptomoeda. Para as mineradoras, permanecer acima desse nível poderia aliviar a pressão sobre o caixa e diminuir a necessidade de vender moedas. Mas a cotação voltou para perto de US$ 84,1 mil: a melhora, por enquanto, é uma possibilidade, não uma recuperação confirmada.
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Por que os 280 dias chamam atenção
Antes da alta, o Bitcoin havia passado cerca de 280 dias abaixo do custo de produção estimado pelo banco. Uma reportagem sobre a análise compara esse período com aproximadamente 224 dias em 2018 — 56 dias a menos. A comparação dá a dimensão da pressão recente, embora o relatório completo do JPMorgan não esteja disponível aqui para conferir de forma independente o cálculo histórico.
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O custo de produção funciona como um “piso flexível”, não como uma barreira que impeça novas quedas. É uma estimativa média: gastos com energia, equipamentos e financiamento variam entre operações. Os meses em que o Bitcoin permaneceu abaixo desse custo mostram que o preço pode atravessá-lo. Mineradoras com despesas mais altas podem precisar vender moedas ou desligar máquinas que deixaram de ser rentáveis, enquanto outras conseguem continuar operando.
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O que mudaria se o preço se mantivesse acima de US$ 85 mil
Segundo a cobertura da análise do JPMorgan, uma permanência acima do custo estimado poderia melhorar o fluxo de caixa das mineradoras e reduzir vendas motivadas por dificuldades financeiras. O recuo para abaixo de US$ 85 mil deixa esse alívio em aberto.
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A pressão já aparecia em junho de 2026. Naquele momento, o banco estimava o custo de produção em cerca de US$ 78 mil, com o Bitcoin perto de US$ 62,5 mil, e calculava que aproximadamente 20% das mineradoras operavam sem lucro. Mineradoras de capital aberto venderam mais de 32 mil BTC no primeiro trimestre para financiar suas operações — volume que, segundo outra reportagem, superou as vendas de todo o ano de 2025. Esses números retratam aquele período, não a situação financeira do setor ao preço de setembro.
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Buscar condições de operação mais baratas ou desligar capacidade deficitária são outras respostas possíveis. Nenhuma delas transforma US$ 85 mil em um ponto de equilíbrio válido para todas as mineradoras.
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A inteligência artificial entra na conta
Algumas mineradoras de capital aberto estão direcionando energia e infraestrutura de centros de dados para serviços de computação voltados à inteligência artificial (IA). Segundo reportagem sobre a análise do JPMorgan, a capacidade computacional total da rede Bitcoin, conhecida como hash rate, caiu cerca de 19% em relação ao pico de outubro, enquanto a dificuldade de mineração recuou aproximadamente 15%. Muitas dessas empresas também reduziram suas projeções de crescimento do hash rate ao buscar contratos de longo prazo em IA, com receita por megawatt mais previsível do que a mineração pouco lucrativa.
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Isso não demonstra que a migração para IA causou, sozinha, as quedas na rede. Indica, porém, que uma valorização do Bitcoin talvez não traga imediatamente de volta toda a capacidade redirecionada. Em uma análise separada das empresas examinadas, a CoinShares estimou lucro por megawatt substancialmente maior com IA do que com mineração de Bitcoin.
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O ponto decisivo é a permanência, não o cruzamento momentâneo: acima do custo estimado de US$ 85 mil, a pressão para vender pode diminuir; abaixo dele, mineradoras menos eficientes podem voltar a sentir o aperto. Nenhum dos dois resultados é automático.
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