A frente do Cairo é central, não lateral. Segundo a Dawn, um representante do Hamas disse que uma delegação do grupo havia chegado ao Cairo dois dias antes para reuniões com mediadores sobre o plano para Gaza do presidente dos EUA, Donald Trump . A Dawn também afirmou, com base em médicos locais, que pelo menos 800 palestinos tinham sido mortos desde que o cessar-fogo entrou em vigor
.
Com os dados disponíveis, não há indicação de fim formal. Os relatos mais recentes ainda falam de uma trégua frágil que mediadores tentam reanimar, e não de um acordo oficialmente cancelado . A IDF, sigla em inglês das Forças de Defesa de Israel, afirma que o cessar-fogo entre Israel e Hamas entrou em vigor em 10 de outubro de 2025, às 12h
.
Essa distinção importa porque um cessar-fogo pode continuar válido no papel e, ao mesmo tempo, perder força no terreno. Em março de 2026, o Long War Journal descreveu a trégua em Gaza como majoritariamente mantida, embora houvesse confrontos de baixa intensidade, alegações de violações e operações israelenses contra o Hamas . Em outubro de 2025, pouco depois do início do acordo, a 1News relatou um grande teste para a trégua proposta pelos EUA: Israel disse que o Hamas a havia violado, forças israelenses lançaram ataques e um funcionário de segurança israelense afirmou que transferências de ajuda seriam suspensas até segunda ordem
.
Os episódios recentes entram nesse padrão. Eles não demonstram, por si, colapso formal, mas aumentam o risco de uma trégua que segue viva no texto se tornar cada vez menos efetiva na prática.
Os ataques ocorreram no meio de uma rodada de mediação, com líderes do Hamas no Cairo para discutir formas de revigorar o cessar-fogo . Isso muda a pauta: em vez de se concentrar apenas na implementação do acordo e na próxima etapa das conversas, mediadores passam a lidar com novas mortes, cobranças públicas e pressão por garantias.
As pendências já eram difíceis. Segundo a IDF, o cessar-fogo está inserido em um plano de 20 pontos cuja primeira fase determinava que o Hamas devolvesse os 48 reféns restantes em Gaza e se desarmasse completamente . Um resumo público do plano de paz de Gaza descreve as negociações posteriores como travadas por ataques israelenses repetidos desde o cessar-fogo e por divergências sobre o desarmamento do Hamas: Israel diz que não avançará sem progresso nesse ponto, enquanto o Hamas afirma que as conversas da segunda fase devem esperar a implementação completa da primeira fase por Israel
.
Essa disputa de sequência torna cada novo ataque mais custoso para a negociação. Para Israel, o uso continuado da força pode ser apresentado como resposta a atividades ou violações atribuídas ao Hamas. Para o Hamas, o mesmo episódio pode ser usado como prova de que Israel não respeita a trégua. O resultado provável é uma diplomacia mais lenta, defensiva e focada em conter danos.
Israel já sustenta publicamente que o Hamas violou repetidamente o cessar-fogo. Uma página da IDF lista comunicados israelenses que atribuem ao Hamas violações do acordo desde seu início . Em fevereiro de 2026, o Times of Israel informou que a IDF disse ter atingido operativos do Hamas depois que homens armados palestinos saíram de um túnel em Rafah
.
Na cobertura regional citada, a leitura é inversa. The New Arab descreveu Israel como responsável por matar palestinos em Gaza apesar do cessar-fogo de outubro e caracterizou mortes e demolições como violações do acordo .
Essas versões não são apenas discurso: elas pesam na mesa de negociação. Se cada lado usa o novo episódio para confirmar sua própria narrativa, sobra menos espaço para mediadores pressionarem por concessões difíceis sobre reféns, desarmamento e entrada de ajuda.
A direção do cessar-fogo deve ficar mais clara a partir do que mediadores e partes fizerem depois dos contatos no Cairo.
Os ataques israelenses mais recentes relatados em Gaza pressionam, mas não encerram de forma comprovada, o cessar-fogo de outubro de 2025. A trégua ainda é descrita como um arranjo que mediadores tentam salvar; o problema é que cada novo ataque reduz o espaço político para negociações entre Hamas e Israel e aumenta a chance de o cessar-fogo continuar existindo formalmente, mas perder conteúdo no terreno .