Isso sugere que a IA está entrando em um estágio parecido com o que aconteceu com a computação em nuvem anos atrás: primeiro vem a infraestrutura, depois as aplicações em larga escala.
O ponto mais importante do relatório é para onde está indo o dinheiro.
Grande parte dos investimentos está concentrada em infraestrutura de IA — categoria que inclui:
Esse segmento sozinho pode ultrapassar US$ 1,3 trilhão em gastos em 2026, representando uma parcela significativa de todo o mercado.
A explicação é simples: treinar e operar modelos modernos de IA exige quantidades gigantescas de poder computacional, o que demanda novos centros de dados, GPUs, sistemas de rede avançados e até infraestrutura energética dedicada.
Na prática, a primeira fase da revolução da IA não é sobre aplicativos — é sobre construir a base física e digital que torna a IA em grande escala possível.
Embora a infraestrutura lidere hoje, serviços e software de IA devem formar a próxima grande camada de crescimento.
A Gartner estima que os serviços de IA sozinhos possam atingir cerca de US$ 585 bilhões em 2026, à medida que empresas adotam IA em áreas como atendimento ao cliente, automação, análise de dados e operações.
O investimento em software também está crescendo rapidamente, especialmente em:
Analistas esperam que essa camada acelere depois que a infraestrutura estiver consolidada e quando as empresas começarem a medir melhor o retorno financeiro dessas tecnologias.
Outro fator decisivo para o boom é o nível de investimento das maiores empresas de tecnologia do mundo.
Companhias como Amazon, Microsoft, Alphabet (Google) e Meta estão destinando quantias sem precedentes para construir data centers de IA, desenvolver chips e ampliar suas plataformas de nuvem.
Somados, os planos de capex (gastos de capital) dessas empresas podem chegar a cerca de US$ 650 bilhões a US$ 725 bilhões em 2026, segundo diferentes relatórios do setor.
Grande parte desse dinheiro está sendo direcionada para:
Esse investimento das chamadas hyperscalers funciona como a espinha dorsal do ecossistema global de IA, fornecendo a capacidade computacional que startups, desenvolvedores e empresas utilizam.
O ritmo acelerado de investimento também traz um efeito colateral financeiro.
Gastos massivos em infraestrutura significam que muitas empresas estão reinvestindo grande parte do fluxo de caixa operacional em ativos de longo prazo, como data centers e hardware especializado. Isso pode reduzir temporariamente o free cash flow (fluxo de caixa livre) e pressionar margens.
Alguns analistas observam que esse movimento está transformando empresas de tecnologia — tradicionalmente leves em ativos — em negócios muito mais intensivos em capital.
Ainda assim, executivos e investidores veem esses investimentos como necessários para garantir liderança no mercado de plataformas de IA e serviços de nuvem nos próximos anos.
A projeção da Gartner revela uma mudança estrutural na economia da inteligência artificial.
Em vez de um boom impulsionado apenas por software, a indústria entrou em um grande ciclo global de investimento em infraestrutura computacional.
Os primeiros grandes beneficiários tendem a ser fabricantes de chips, provedores de nuvem, empresas de rede, operadores de data centers e até fornecedores de energia.
Já a segunda fase de crescimento provavelmente virá do que será construído sobre essa base — software, automação empresarial e ganhos de produtividade impulsionados por IA.
Em outras palavras: os trilhões que estão sendo investidos agora não estão financiando apenas aplicativos de IA. Eles estão construindo a infraestrutura digital da próxima geração da computação.