O pacote anunciado em maio de 2026 combina investimento em participação e dívida:
A rodada foi liderada pela Vivo Capital e contou com participação de SK Biopharmaceuticals, Chengwei Capital, HSG, Junson Capital, Yunion, Plaisance, Sky9 Capital e TSG Capital, além de outros acionistas existentes.
Essa combinação de capital permite que a empresa avance em duas frentes ao mesmo tempo: expandir o pipeline de medicamentos e construir a infraestrutura altamente especializada necessária para produzir radiofármacos. Diferentemente de medicamentos tradicionais, terapias radioativas exigem cadeias de suprimento extremamente controladas devido à curta meia‑vida dos isótopos e às exigências de segurança nuclear.
Grande parte dos recursos será direcionada ao desenvolvimento clínico de terapias baseadas em actínio‑225, um radioisótopo emissor de partículas alfa capaz de destruir células cancerígenas de forma altamente localizada.
Entre os principais candidatos da empresa estão:
Essas terapias utilizam o Ac‑225 para entregar radiação diretamente às células tumorais, reduzindo o impacto sobre tecidos saudáveis. O desenvolvimento dessas moléculas é feito por meio da plataforma proprietária UniRDC, voltada à criação de conjugados de radionuclídeos direcionados.
Com o novo financiamento, a empresa pretende ampliar seus estudos clínicos e alcançar múltiplos programas de radiofármacos em estágio clínico até 2026.
Outro foco central da rodada é o fortalecimento da infraestrutura de fabricação de radiofármacos da empresa na Europa.
A Full-Life vem construindo uma instalação de produção com padrão GMP (Boas Práticas de Fabricação) em Gembloux, na Bélgica, cuja construção começou em 2023. O local terá cerca de 4.000 metros quadrados e foi projetado para funcionar como um hub de produção de terapias radiativas e componentes associados.
A construção e operação da instalação foram autorizadas pela Agência Federal de Controle Nuclear da Bélgica (FANC), que regula atividades envolvendo materiais radioativos no país.
Controlar essa capacidade produtiva é considerado estratégico porque o actínio‑225 é um isótopo extremamente escasso. A disponibilidade limitada do material é frequentemente um gargalo para empresas que desenvolvem radioterapias baseadas em emissão alfa. Para mitigar esse risco, a Full-Life também firmou acordos de fornecimento com produtores especializados, como a Eckert & Ziegler.
No setor de radiofármacos, descoberta científica não é suficiente. O material radioativo precisa ser produzido, transportado e administrado em prazos muito curtos, antes que sua atividade diminua.
Por isso, empresas do setor estão cada vez mais adotando modelos verticalmente integrados, combinando desenvolvimento de medicamentos, produção de radioisótopos e instalações GMP próprias.
O financiamento de US$ 150 milhões sugere uma estratégia em duas frentes para a Full-Life:
Esse movimento acompanha uma tendência maior na indústria de radiofármacos: integrar pesquisa, fabricação e cadeia de suprimentos para garantir que terapias promissoras possam avançar do laboratório até a produção em escala.
Se a estratégia funcionar, a empresa pode se posicionar como um dos players relevantes no crescente mercado de radioterapias alfa direcionadas, considerado promissor no tratamento de tumores sólidos difíceis de tratar.