Isso não significa que toda Grasberg esteja parada. Em novembro de 2025, a Freeport-McMoRan disse que a produção havia sido retomada no fim de outubro nas áreas subterrâneas não afetadas Deep Mill Level Zone e Big Gossan, enquanto os reparos continuavam para preparar uma retomada gradual do Grasberg Block Cave a partir do 2º trimestre de 2026 .
O ponto central, portanto, é o tempo necessário para devolver o complexo inteiro ao ritmo normal.
Grasberg tem escala suficiente para mudar contas globais de oferta. Segundo a Project Blue, a mina respondeu por cerca de 3% do cobre minerado no mundo e foi a segunda maior mina de cobre do planeta em produção em 2024 .
Quando uma operação desse tamanho demora mais para se recuperar, o impacto não fica restrito à Indonésia ou à Freeport. Ele entra nos balanços de mineradoras, fundições, traders e compradores industriais que contam com concentrado de cobre disponível nos próximos anos.
Antes da nova revisão, o mercado podia tratar 2026 como o principal ano de choque e esperar uma normalização mais clara em 2027. Com a produção plena agora prevista só para o início de 2028, o risco de oferta se estende por 2026 e 2027 .
As estimativas anteriores já apontavam um golpe relevante. A Project Blue afirmou que a produção de 2026 poderia cair até 35% após a declaração de força maior . A Fastmarkets também reportou que a produção de cobre e ouro poderia ficar 35% menor em 2026, com uma recuperação gradual anteriormente esperada para levar as operações de volta aos níveis pré-incidente em 2027
.
Outro sinal da dimensão do problema veio da Mining.com, que informou que o Goldman Sachs reduziu suas previsões de oferta global de cobre para 2025 e 2026 e estimou até 525 mil toneladas métricas de cobre minerado perdido por causa da interrupção em Grasberg .
Isoladamente, uma volta mais lenta de Grasberg tende a dar sustentação aos preços do cobre, porque adia o retorno de uma fonte importante de metal minerado. Mas isso não basta para fazer uma previsão completa de preço.
O cobre também vai depender de demanda, estoques, disponibilidade de sucata, desempenho de outras minas e eventuais novas interrupções. A conclusão mais prudente é: Grasberg, sozinha, não garante um déficit global, mas aumenta a chance de que os balanços de 2026 e 2027 fiquem mais apertados do que projeções baseadas em uma recuperação em 2027 .
O primeiro indicador é a utilização de capacidade. Se o complexo continuar perto da faixa reportada de 40% a 50%, em vez de avançar de forma consistente rumo ao normal, o mercado terá menos folga para absorver outros problemas de oferta .
Também vale acompanhar os próximos comunicados sobre o avanço do ramp-up no Grasberg Block Cave, qualquer mudança na meta de produção plena no início de 2028 e revisões nas projeções de oferta minerada para 2026 e 2027 . Enquanto esses sinais não melhorarem, Grasberg continuará sendo um dos principais pontos de fragilidade da oferta global de cobre.