A rodada foi liderada pela Radical Ventures, com participação de investidores conhecidos como Nvidia, Sequoia Capital, Benchmark, Adobe e Toyota, além de outros fundos e investidores estratégicos.
Entre os investidores‑anjo que participaram estão nomes de peso da tecnologia e do entretenimento, incluindo Andrej Karpathy, o ex‑CEO da Disney Michael Eisner e membros da família ligada à Nintendo.
O novo valuation de cerca de US$ 4 bilhões representa um salto em relação à avaliação anterior da empresa, de US$ 3,1 bilhões após uma rodada de US$ 100 milhões no ano anterior.
Para os investidores, a tese é clara: se a IA evoluir de sistemas que produzem respostas estáticas para ambientes digitais contínuos e interativos, quem construir a infraestrutura por trás desses sistemas pode se tornar uma nova camada fundamental do ecossistema de IA.
Dois dos participantes mais importantes no ecossistema da Decart são Nvidia e Amazon Web Services (AWS).
A Nvidia entrou na rodada como investidora, o que reforça a conexão entre modelos de IA avançados e hardware de alto desempenho, especialmente GPUs usadas em treinamento e inferência.
Já a Amazon aparece em um papel diferente. Reportagens indicam que a empresa atua como cliente estratégico, ao mesmo tempo em que a AWS colabora com a Decart na infraestrutura necessária para rodar sistemas de IA em tempo real.
Parte dessa colaboração envolve otimizar o modelo Lucy para aceleradores Trainium da AWS, chips próprios da Amazon voltados para cargas de trabalho de machine learning.
Essa combinação de parcerias sugere um ponto central da estratégia da empresa: criar tecnologias capazes de rodar em diferentes tipos de hardware de IA, e não depender exclusivamente de GPUs da Nvidia.
A plataforma da Decart é construída em três componentes principais que funcionam em conjunto.
O DOS é a base tecnológica da empresa — uma plataforma otimizada de treinamento e inferência projetada para sistemas de IA de baixa latência.
A ideia é permitir que modelos operem continuamente e respondam instantaneamente, em vez de funcionar apenas no modelo tradicional de prompt e resposta.
O Lucy é o modelo de mundo da Decart voltado para ambientes imersivos e geração de vídeo em tempo real.
A empresa descreve o sistema como capaz de gerar “vídeo infinito em tempo real”, que evolui continuamente em vez de produzir apenas clipes isolados.
O Oasis é focado em simulações e ambientes interativos voltados para robótica e sistemas do mundo físico.
Segundo a empresa, o sistema consegue criar ambientes interativos que respondem em tempo real, úteis para treinar robôs, veículos autônomos ou outros sistemas automatizados.
Versões anteriores da tecnologia da Decart também buscavam reduzir custos de GPU e tornar interações com agentes de IA mais naturais, mostrando que eficiência computacional é uma parte central da arquitetura da empresa.
Um dos sinais mais interessantes da estratégia da Decart está no uso dos aceleradores AWS Trainium.
A empresa está trabalhando com a AWS para otimizar o Lucy para o Trainium3, um chip de IA desenvolvido pela Amazon para competir com arquiteturas baseadas em GPU no treinamento e execução de modelos.
Isso tem duas implicações importantes:
A própria Decart afirma operar em toda a pilha computacional, do hardware até os modelos de mundo, reforçando essa abordagem de infraestrutura completa.
Ainda assim, relatórios públicos não trazem benchmarks independentes ou comparações de desempenho entre Lucy rodando em Trainium e em GPUs.
No centro da estratégia da Decart está o conceito de world models — sistemas de IA capazes de gerar e simular ambientes que evoluem continuamente ao longo do tempo.
Em vez de produzir respostas estáticas como texto ou imagens, esses sistemas buscam criar mundos digitais persistentes e interativos, capazes de reagir imediatamente a usuários ou máquinas.
Entre as possíveis aplicações estão:
A empresa descreve seu objetivo como construir sistemas de IA que possam “rodar instantaneamente, continuamente e de forma eficiente.”
O significado da rodada vai além do capital levantado.
Ela reflete uma crença crescente entre investidores e empresas de tecnologia de que a próxima fase da IA pode girar em torno de sistemas interativos em tempo real, e não apenas de modelos que produzem respostas isoladas.
A estrutura da rodada destaca três apostas estratégicas:
O principal ponto em aberto continua sendo a execução. As informações públicas confirmam financiamento, parcerias e direção tecnológica, mas dados independentes sobre desempenho, adoção em larga escala ou receita ainda são limitados.
Mesmo assim, o tamanho da rodada e o perfil dos investidores sugerem que a indústria vê mundos gerados por IA em tempo real como uma das próximas grandes fronteiras da inteligência artificial.