Robôs humanoides são projetados para atuar em ambientes pensados para pessoas. Como têm formato semelhante ao humano e conseguem usar ferramentas comuns, podem ser integrados a fábricas, armazéns e outros locais sem grandes mudanças na infraestrutura.
Analistas apontam várias áreas onde eles poderiam ser usados:
Em muitos desses setores, a automação já cresce devido à escassez de trabalhadores e ao aumento dos custos de mão de obra. Na prática, os robôs tendem a trabalhar ao lado de humanos, assumindo tarefas repetitivas ou fisicamente exigentes.
Durante a última década, grande parte do avanço da inteligência artificial esteve ligada a atividades digitais — análise de dados, automação de software e geração de conteúdo.
Os robôs humanoides representam a próxima etapa: levar a IA para tarefas físicas, permitindo que máquinas executem atividades manuais que antes exigiam trabalhadores humanos.
Segundo o Barclays, essa transição pode transformar profundamente:
Se a China realmente implantar robôs nessa escala, o país pode se tornar o maior motor de demanda mundial para essa tecnologia.
O Barclays estima que o mercado global de robôs humanoides pode chegar a cerca de US$ 200 bilhões até 2035, impulsionado pelo avanço tecnológico e pela escassez de mão de obra em várias economias.
Alguns fatores que favorecem essa expansão incluem:
Essas mudanças estão ajudando a levar os robôs humanoides dos laboratórios para aplicações comerciais reais.
A China já possui uma posição forte em automação industrial e robótica.
Dados do governo indicam que o setor de robótica do país gerou quase 240 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 35 bilhões) em receita em 2024, com crescimento contínuo em 2025.
Além disso, o país possui vantagens estruturais importantes:
Alguns analistas acreditam que a China pode repetir na robótica humanoide o que já fez em setores como veículos elétricos e energia solar: tornar-se simultaneamente o maior mercado e um dos maiores produtores globais.
Um dos principais argumentos a favor dos robôs humanoides é sua capacidade de sustentar a produção mesmo com menos trabalhadores disponíveis.
Estimativas iniciais do setor indicam que os robôs atuais conseguem atingir cerca de 30% a 40% da produtividade de um trabalhador humano. Com melhorias em hardware e inteligência artificial, esse número pode chegar perto de 80% em poucos anos.
Se os custos continuarem caindo e o desempenho melhorar, a adoção em grande escala poderia:
Mesmo assim, o impacto real dependerá de fatores como custo, confiabilidade, regulamentação e aceitação pelas empresas.
A indústria chinesa sempre dependeu de escala e eficiência da mão de obra. O encolhimento da força de trabalho coloca esse modelo sob pressão.
A automação com robôs humanoides pode permitir que fábricas mantenham — ou até ampliem — a produção com menos trabalhadores. Isso ajudaria a preservar a competitividade da China em setores como eletrônicos, máquinas e logística industrial.
Ao mesmo tempo, a corrida pela robótica avançada tende a intensificar a disputa tecnológica global, à medida que diferentes países tentam desenvolver e implantar sistemas de automação cada vez mais sofisticados.
As estimativas do Barclays dependem de hipóteses sobre demografia, custos e velocidade de adoção tecnológica. Nem todos os detalhes do estudo estão disponíveis publicamente.
Entre as principais incertezas estão:
Mesmo com essas dúvidas, uma tendência parece clara: a pressão demográfica está empurrando a China para níveis inéditos de automação, e os robôs humanoides podem desempenhar um papel central nessa transformação ao longo da próxima década.