A Ship 40 desceu com propulsão própria e tocou a água na posição vertical. Em seguida, tombou suavemente e continuou boiando, ainda enviando telemetria e imagens em tempo real . A SpaceX também usou drones para observar de perto o veículo e seu escudo térmico . Trata-se da primeira tentativa da empresa de recuperar do oceano um estágio superior da Starship .
Até então, todos os estágios superiores da Starship haviam sido destruídos ou se partido durante a reentrada ou o impacto. A Ship 40, porém, atravessou o retorno à atmosfera com mais de 18 mil peças cerâmicas do escudo térmico suportando temperaturas de até 2.600 °F — cerca de 1.430 °C — e completou uma manobra precisa de giro e queima, conhecida como flip-and-burn .
Essa manobra reduziu a velocidade de descida o suficiente para que a estrutura permanecesse preservada ao entrar na água. Além de representar um avanço no sistema de proteção térmica, o resultado mostrou que a orientação final da nave pode ser controlada com a precisão necessária para uma recuperação em terra.
A inspeção do veículo recuperado pode fornecer dados sobre aquecimento na reentrada, tensões estruturais e desempenho dos sistemas após um perfil completo de voo — informações que simulações, por si só, não conseguem reproduzir. Ao mesmo tempo, a exposição prolongada à água do mar também será um fator a ser considerado pelos engenheiros antes de qualquer reutilização.
O 13º voo integrado da Starship foi o segundo teste da versão 3 do veículo e apresentou avanços importantes:
Os 20 satélites Starlink V3 foram lançados como parte do teste de voo e deveriam sair de órbita e queimar na atmosfera cerca de 20 minutos depois . O objetivo principal era validar seu funcionamento em voo, não iniciar uma constelação operacional a partir dessa missão.
Poucas horas depois do sucesso do voo 13, Elon Musk afirmou: “A menos que descubramos problemas na revisão dos dados da missão, a SpaceX tentará capturar a nave com a torre no próximo voo” .
Seis dias depois, em 30 de julho, Musk disse que o pouso da Ship 40 foi suficientemente preciso para que os braços da torre tivessem conseguido agarrá-la . A declaração abriu caminho para uma tentativa no voo 14, embora a execução ainda dependa dos preparativos e das aprovações necessários.
O plano é fazer a nave retornar a Starbase, no Texas, e usar os braços mecânicos da torre, apelidados de Mechazilla, para capturá-la no ar. A SpaceX já demonstrou esse conceito com o propulsor Super Heavy, mas nunca tentou recuperar dessa forma um estágio superior de classe orbital .
Em termos práticos, a nave teria de sobreviver à reentrada, executar novamente o flip-and-burn e chegar a uma janela extremamente estreita entre os braços da torre. Uma captura bem-sucedida seria a primeira recuperação desse tipo de estágio superior na história dos voos espaciais .
A recuperação intacta da Ship 40 aproxima a Starship do objetivo central do programa: a reutilização rápida dos dois estágios. Isso é decisivo para reduzir o custo de missões futuras, incluindo o lançamento de satélites Starlink, missões lunares e, mais adiante, possíveis voos de transporte para Marte.
Uma captura diretamente na torre também evitaria parte dos danos e da exposição à água do mar associados a um pouso oceânico. Ainda assim, a sobrevivência da Ship 40 é apenas um primeiro dado de uma campanha de engenharia mais longa; ela não significa, por si só, que a nave esteja pronta para voltar imediatamente ao espaço.
A expectativa indicada para o voo 14 é que ele use o booster Super Heavy 21 e a nave Ship 41, partindo da Plataforma B, em Starbase, durante uma janela no terceiro trimestre de 2026 . Se o cronograma for mantido, a missão poderá transformar um pouso controlado no oceano em uma tentativa muito mais ambiciosa: pegar a própria nave no ar, de volta à torre de lançamento.