Isso não significa que a imagem não tenha desempenhado nenhum papel no treinamento geral do modelo. Significa que, para um resultado específico e dentro do teste de remoção usado no estudo, a contribuição causal individual daquela fonte pode ser pequena demais para ser detectada.
Investigar essa questão diretamente é difícil. Um método convencional exigiria treinar novamente um modelo depois de retirar uma imagem da base e, em seguida, comparar o novo resultado com o original. Repetir o processo para imagens individuais, artistas ou pessoas seria caro, e métodos aproximados podem não eliminar todos os efeitos posteriores provocados pelos dados retirados.
Dai e Gifford adotaram outra estratégia e criaram um ensemble de difusão: vários componentes menores treinados com subconjuntos diferentes e sobrepostos dos dados. Para testar a influência de uma fonte, os pesquisadores podiam desligar os componentes que haviam tido acesso a ela e gerar o resultado contrafactual — isto é, o que o sistema produziria sem aquela fonte — sem retreinar o modelo inteiro.
A equipe comparou esse método com 24 modelos convencionais de difusão treinados com os mesmos dados. Segundo os pesquisadores, a qualidade dos resultados foi amplamente comparável pelas métricas padrão.
A arquitetura permitiu um teste exato de remoção dentro do sistema desenvolvido: se o resultado permanecesse igual depois que todos os componentes que haviam visto determinada fonte fossem desligados, o experimento não apresentaria evidência mensurável de que aquela fonte havia causado o resultado.
A decadência da atribuição pode dificultar um tipo específico de alegação: a de que uma determinada imagem gerada foi causada por — ou copiada de — uma imagem de um autor ou de todo o conjunto de obras de um artista. Se retirar esse material não mudar o resultado em um teste contrafactual exato, o teste oferece pouco suporte para atribuir aquela imagem à fonte removida.
Esse tipo de questão pode aparecer em disputas envolvendo serviços de geração de imagens e desenvolvedores de modelos, incluindo empresas como Midjourney, OpenAI e Microsoft. O estudo, porém, não determina a responsabilidade jurídica de nenhuma companhia. Ele apresenta evidências sobre a dificuldade de estabelecer vínculos causais entre dados individuais de treinamento e resultados individuais.
Várias perguntas jurídicas continuam separadas e sem resposta pelo estudo:
Na prática, tribunais e investigadores talvez precisem analisar um conjunto mais amplo de provas: registros de aquisição dos dados, informações de procedência, análise direta de semelhança, testes com prompts direcionados, evidências sobre o comportamento do modelo e pareceres técnicos. Essa conclusão decorre da constatação de que a atribuição entre uma imagem e um resultado específico se torna menos confiável em grande escala; não é uma regra jurídica criada pela pesquisa.
A decadência da atribuição não deve ser interpretada como prova de que modelos de difusão nunca copiam. O resultado indica que a influência mensurável de uma fonte individual pode se tornar insignificante à medida que os conjuntos de treinamento crescem. Em determinadas condições, os modelos ainda podem memorizar ou reproduzir exemplos usados no treinamento.
O escopo do trabalho também é limitado. A pesquisa examinou geradores de imagens baseados em difusão, portanto seus resultados não devem ser automaticamente aplicados a modelos de linguagem ou a outras arquiteturas generativas.
A leitura mais precisa é cautelosa: sistemas de difusão treinados em grandes bases podem dificultar a atribuição de uma imagem gerada a uma fonte individual, mesmo quando uma determinada imagem ou as obras de um artista fizeram parte do treinamento. Isso pode enfraquecer uma das formas de provar a responsabilidade por um resultado específico, mas deixa em aberto as questões mais amplas sobre práticas de treinamento, cópia, imitação e direitos de propriedade intelectual.