Análises citadas em reportagens associadas à Reuters indicam que parte dessa mudança está ligada à campanha de drones da Ucrânia.
Ataques de médio alcance — geralmente entre 30 e 180 quilômetros atrás da linha de frente — têm como alvo sistemas de defesa aérea e centros logísticos russos.
Ao atingir esses pontos de apoio, a estratégia pode:
Especialistas dizem que essa abordagem em camadas tem dificultado o avanço das forças russas e afetado o ritmo de suas operações militares.
O anúncio de Zelensky ocorre em meio à continuidade das ofensivas russas. Autoridades ucranianas afirmam que Moscou mantém ataques com drones, bombardeios e ofensivas terrestres, inclusive durante períodos em que cessar‑fogo foram discutidos ou propostos.
A Rússia também tem lançado grandes ondas de ataques aéreos contra a Ucrânia, utilizando drones, bombas guiadas e mísseis contra cidades e infraestrutura crítica, incluindo redes de energia e logística.
Para Kiev, esses ataques demonstram que a Rússia não reduziu sua campanha militar — argumento usado para justificar a ampliação das operações dentro do território russo.
A campanha ucraniana tem atingido cada vez mais infraestrutura energética e militar russa, incluindo refinarias de petróleo, depósitos de combustível e instalações portuárias associadas à economia de guerra do país.
A estratégia busca dois objetivos principais:
Após o fim de períodos temporários de cessar‑fogo, ataques de drones ucranianos contra refinarias e portos voltaram a ocorrer com frequência, enquanto autoridades russas relatam a interceptação de grandes números de drones durante algumas dessas ofensivas.
Declarações ucranianas também afirmam que equipamentos militares e sistemas de defesa aérea russos foram atingidos em operações recentes.
Os ataques profundos também têm uma dimensão política. Ao elevar o custo econômico e militar da guerra para Moscou, Kiev espera aumentar a pressão sobre o Kremlin enquanto negociações diplomáticas continuam sem avanços significativos.
Líderes ucranianos argumentam que enfraquecer a capacidade militar e econômica da Rússia pode influenciar futuras negociações de paz.
O uso crescente de drones e armas de longo alcance mostra como o conflito está mudando. Em vez de depender apenas de batalhas diretas na linha de frente, ambos os lados passaram a mirar infraestrutura, logística e ativos militares muito atrás das linhas inimigas.
Com os novos planos aprovados para junho, a Ucrânia sinaliza que pretende aprofundar essa estratégia — combinando defesa nas frentes de combate com ataques cada vez mais distantes para desgastar a capacidade russa de sustentar a guerra ao longo do tempo.