Isso faz parte da estratégia do Google de substituir assistentes baseados apenas em comandos por sistemas de IA generativa capazes de entender contexto e pedidos em múltiplas etapas. Em carros com Google built‑in (Google integrado ao sistema do veículo), o Gemini está substituindo gradualmente o Google Assistant e permitindo interações mais fluidas, como pedir paradas ao longo de uma rota ou controlar funções do carro.
Um dos conceitos mais avançados apresentados envolve dar ao Gemini acesso às câmeras do veículo. A ideia é que versões futuras do assistente possam analisar o que o carro está vendo em tempo real.
Com isso, o sistema poderia responder com base no ambiente ao redor — não apenas em dados do mapa ou comandos do motorista. Exemplos potenciais incluem:
Tecnologias automotivas já usam visão computacional para funções como detecção de faixas e assistência ao motorista. Integrar esses dados a um assistente conversacional abriria caminho para carros mais conscientes do ambiente e capazes de interagir de maneira mais útil com o motorista.
Além do Gemini, o Google também anunciou Immersive Navigation para o Google Maps em carros com Android Auto e sistemas com Google integrado.
Esse recurso traz uma experiência de navegação mais visual, com guias de rota em 3D e atualizações em tempo real que ajudam o motorista a entender melhor o caminho enquanto dirige.
Em vez de depender apenas de mapas planos, a navegação passa a usar elementos visuais mais detalhados e orientação contextual, facilitando a leitura da rota no mundo real. Esses recursos fazem parte da integração crescente entre IA Gemini e o ecossistema do Google Maps.
Modelos da Volvo com Google integrado devem receber essas melhorias conforme as atualizações forem liberadas.
Embora o EX60 seja o primeiro Volvo projetado diretamente para o Gemini, a novidade não ficará restrita a veículos novos.
A Volvo começou a liberar o Gemini por atualização remota (over‑the‑air) para carros que já possuem Google integrado. A primeira onda inclui modelos produzidos a partir do ano‑modelo 2020, com lançamento inicial nos Estados Unidos e expansão gradual para outros mercados.
Como a Polestar utiliza o mesmo ecossistema Android Automotive com Google integrado, seus veículos também fazem parte da expansão dessa tecnologia.
O Google já demonstrou como sensores e câmeras podem melhorar a navegação nesse ambiente. Um exemplo é o recurso live lane guidance, em que o Google Maps analisa a câmera frontal do carro para reconhecer faixas e placas, oferecendo instruções em tempo real para ajudar o motorista a se posicionar corretamente antes de saídas ou cruzamentos.
O que essas novidades mostram é uma mudança mais ampla na indústria automotiva: veículos estão se tornando plataformas definidas por software e alimentadas por inteligência artificial.
No lugar de sistemas de infotainment isolados, novas plataformas combinam:
Para a Volvo, o EX60 representa o primeiro modelo totalmente pensado para essa abordagem baseada em IA. Para o Google, é mais um passo para levar o Gemini além de celulares e computadores — colocando o assistente em ambientes onde localização, sensores e visão computacional podem torná‑lo muito mais consciente do mundo real.
Se essa estratégia se concretizar, a próxima geração de carros conectados não apenas obedecerá comandos — ela poderá entender o que está acontecendo ao redor enquanto você dirige.