O número representa um aumento em relação à estimativa de 30 mil tropas que ele havia mencionado em julho de 2026 . Em seu discurso noturno de 10 de agosto, Zelensky declarou: "Pela primeira vez na história, a Rússia não consegue travar uma guerra sem reforços da Coreia do Norte" .
Zelensky alertou que a Coreia do Norte está usando o conflito para ganhar experiência de combate para seus soldados e para testar seus mísseis balísticos em condições reais de guerra . Ele afirmou que a Rússia está ajudando Pyongyang a aprimorar suas armas e capacidades de combate — chamando isso de uma ameaça não apenas à Ucrânia, mas a todo o mundo .
Especificamente, ele destacou que a Rússia recebeu mísseis balísticos adicionais da Coreia do Norte e usou mísseis balísticos de curto alcance KN-23, de fabricação norte-coreana, em ataques a Zaporizhzhia . O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) informou que os mísseis norte-coreanos provavelmente estão ajudando a Rússia a explorar a escassez de interceptadores antimísseis da Ucrânia .
"Os mísseis e outras armas da Coreia do Norte estão sendo aprimorados por meio de sua colaboração com a Rússia. Quanto mais ataques norte-coreanos houver aqui na Ucrânia, na Europa, maiores se tornarão suas capacidades." — Volodymyr Zelensky
Zelensky alertou especificamente que os países da Ásia — e da região mais ampla da Ásia-Pacífico — enfrentariam um perigo maior . Ele disse que, quanto mais experiência de combate a Coreia do Norte acumular por meio de sua parceria com a Rússia, maior será a ameaça à segurança de toda a região .
Ele citou nominalmente o Japão, a Coreia do Sul e as Filipinas como países que enfrentarão um "perigo maior" à medida que a Coreia do Norte ganha experiência militar e corrige suas deficiências .
Zelensky fez um apelo direto a parceiros internacionais na Ásia-Pacífico, citando especificamente a Coreia do Sul e o Japão, para que fornecessem à Ucrânia sistemas de defesa aérea e drones . Ele disse que a Ucrânia está em contato com a Coreia do Sul para garantir apoio com sistemas antiaéreos, uma área crítica de carência após o esgotamento dos estoques de mísseis interceptadores .
"Gostaríamos muito de receber apoio da Coreia do Sul em uma área na qual temos escassez. Essa área é a defesa aérea." — Volodymyr Zelensky
Zelensky também se manifestou aberto à cooperação em negócios envolvendo drones .
A Coreia do Sul respondeu com cautela. Um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores sul-coreano afirmou que Seul reconhece a ameaça da cooperação militar entre Rússia e Coreia do Norte, mas não está pronta para mudar sua posição atual . O ministério disse que a Coreia do Sul continuará fornecendo apenas assistência humanitária e não fornecerá armas letais ou sistemas de defesa aérea . Autoridades reiteraram que o fornecimento de materiais de defesa sempre foi feito de acordo com a legislação nacional .
Os alertas de agosto de 2026 ocorreram em meio a ataques aéreos russos intensificados contra cidades ucranianas. Em 11 de agosto, a Rússia bombardeou Zaporizhzhia com mísseis balísticos fornecidos pela Coreia do Norte, matando pelo menos seis civis e ferindo 19 . As forças russas também usaram mísseis norte-coreanos em ataques noturnos a Dnipropetrovsk e Donetsk, matando ao todo 12 civis nas três regiões .
As avaliações de Zelensky em agosto vieram na esteira de relatórios de inteligência de julho de 2026, quando ele alertou pela primeira vez que a Rússia buscava 30 mil soldados norte-coreanos adicionais . Em agosto, sua estimativa subiu para 50 mil . O ISW observou que mísseis norte-coreanos estavam em uso desde pelo menos 29 e 30 de julho, quando a Força Aérea Ucraniana relatou lançamentos russos de mísseis KN-23 .
Os alertas de Zelensky evidenciam uma mudança estrutural na aliança entre Rússia e Coreia do Norte: Pyongyang não está apenas fornecendo munição, mas ganhando conhecimento operacional e dados de testes em combate real que podem melhorar a precisão, a confiabilidade e a produção de seus mísseis . Isso cria um ciclo vicioso — quanto mais a Coreia do Norte contribui para o esforço de guerra russo, mais capaz se torna seu próprio exército, elevando a ameaça de longo prazo aos aliados dos EUA no Leste Asiático.