O sistema LID‑1166, visto quando o Universo tinha apenas 1,3 bilhão de anos, abriga dois buracos negros supermassivos ativos separados por 4.900 anos‑luz — o par mais próximo já confirmado numa época tão remota. Num estudo simultâneo, o JWST identificou três buracos negros supermassivos em acreção na galáxia J0148‑4...
Resposta de pesquisa

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O Telescópio Espacial James Webb (JWST) acaba de entregar duas descobertas revolucionárias sobre buracos negros supermassivos no Universo primitivo: um par muito próximo deles em plena 'alimentação' e, separadamente, um raro trio de buracos negros ativos em uma única galáxia. Juntos, os achados pintam um retrato de um cosmos jovem onde esses monstros cósmicos cresciam rapidamente por meio de fusões frequentes e interações ricas em gás — e onde a sensibilidade infravermelha do JWST está revelando objetos que eram completamente invisíveis para telescópios anteriores.
O sistema batizado de LID‑1166 abriga dois buracos negros supermassivos em plena 'alimentação', separados por aproximadamente 4.900 anos‑luz (1,5 quiloparsec) . Essa é a dupla de buracos negros ativos mais próxima já confirmada no Universo primitivo
. Enxergamos o sistema como ele era quando o Universo tinha apenas 1,3 bilhão de anos — cerca de 10% da sua idade atual
.
Por que telescópios anteriores não o viram: O LID‑1166 foi inicialmente identificado como uma fonte de raios X no levantamento Chandra COSMOS Legacy, mas permaneceu completamente indetectável nas imagens mais profundas do Telescópio Espacial Hubble . Os buracos negros estão enterrados em gás e poeira densos, que bloqueiam a luz visível e o infravermelho próximo
.
O instrumento que fez a diferença: A equipe, liderada por Hyewon Suh do NSF NOIRLab, usou o Espectrógrafo de Infravermelho Próximo (NIRSpec) do JWST . O NIRSpec revelou duas fontes compactas e brilhantes separadas por 4.900 anos‑luz, cada uma com assinaturas espectrais de gás girando em altíssima velocidade — sinais inequívocos de buracos negros supermassivos em 'alimentação' (núcleos galácticos ativos, ou AGN)
. O coautor Roberto Decarli afirmou: 'Esta etapa da descoberta só foi possível graças às capacidades excepcionais de imageamento e espectroscopia do JWST, em particular seu instrumento NIRSpec. Observações similares a partir do solo seriam extremamente desafiadoras devido à baixa transparência da atmosfera nesses comprimentos de onda.'
O que o ALMA acrescentou: O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) detectou grandes reservatórios de gás frio associados a cada AGN . Decarli observou que isso 'aponta para os dois AGN residindo no centro de duas galáxias prestes a se fundir'. A presença de um ambiente galáctico rico em gás frio ao redor de cada buraco negro ajudou a descartar cenários alternativos exóticos e confirmou uma fusão galáctica genuína e rica em gás
. O estudo foi aceito para publicação na Nature Astronomy (preprint arXiv:2607.19491)
.
Um estudo simultâneo, liderado por Hannah Übler do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, identificou três buracos negros supermassivos em acreção ativa dentro da mesma galáxia, J0148‑4214 . A galáxia está a mais de 12,5 bilhões de anos‑luz da Terra (redshift z=5,0167), o que corresponde a cerca de 1,2 bilhão de anos após o Big Bang
.
Configuração do trio: Dois dos buracos negros estão localizados próximos um do outro no centro galáctico, separados por apenas 620 anos‑luz em projeção, sugerindo que estão prestes a se fundir. Um terceiro buraco negro está situado mais longe, na região externa da galáxia, a cerca de 5.500 anos‑luz do centro . As massas variam de alguns milhões a cerca de 80 milhões de massas solares
.
Método de detecção: A equipe usou o NIRSpec do JWST no modo de Unidade de Campo Integral (NIRSpec‑IFS) — espectroscopia com resolução espacial — para detectar os buracos negros por meio de suas impressões digitais espectrais. Cada um foi identificado pela emissão larga de H‑alfa (FWHM 430–2.920 km/s) sem contrapartida em linhas proibidas, uma assinatura clara de gás orbitando um buraco negro massivo .
Esta é a primeira evidência de três buracos negros supermassivos ativos numa única galáxia no Universo distante . Übler disse: 'Isso sugere que os processos no Universo primitivo eram eficientes em trazer buracos negros massivos para perto uns dos outros, preparando o terreno para as fusões massivas que esperamos detectar com futuros observatórios de ondas gravitacionais.'
O estudo foi publicado na Astronomy & Astrophysics como parte do projeto BlackTHUNDER
.
Juntos, os dois resultados oferecem uma nova janela para uma fase crítica da história cósmica. Eles mostram que buracos negros supermassivos não apenas existiam, mas estavam ativamente se fundindo e crescendo em ambientes ricos em gás menos de 1,5 bilhão de anos após o Big Bang. A capacidade do JWST de enxergar através da poeira — usando luz infravermelha, que comprimentos de onda mais curtos não conseguem penetrar — foi a chave para revelar esses sistemas de buracos negros ocultos. Como observa o estudo do LID‑1166, telescópios anteriores como o Hubble eram cegos para esses objetos, que estão envoltos no próprio gás e poeira que os alimentam .
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O sistema LID‑1166, visto quando o Universo tinha apenas 1,3 bilhão de anos, abriga dois buracos negros supermassivos ativos separados por 4.900 anos‑luz — o par mais próximo já confirmado numa época tão remota.
O sistema LID‑1166, visto quando o Universo tinha apenas 1,3 bilhão de anos, abriga dois buracos negros supermassivos ativos separados por 4.900 anos‑luz — o par mais próximo já confirmado numa época tão remota. Num estudo simultâneo, o JWST identificou três buracos negros supermassivos em acreção na galáxia J0148‑4214, a 12,5 bilhões de anos‑luz da Terra: dois no centro (prestes a se fundir) e um na periferia.
As descobertas só foram possíveis graças ao instrumento NIRSpec do JWST, que enxerga na luz infravermelha e atravessa a poeira que bloqueava a visão do Hubble.