O que equilibrou a balança foi uma gangorra entre diferentes culturas: a forte desvalorização dos óleos vegetais anulou os aumentos significativos nos preços dos cereais e do açúcar . Enquanto isso, o pano de fundo segue tenso, com os custos elevados de energia e o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital, jogando contra a estabilidade dos preços .
O FFPI da FAO, que acompanha as variações mensais das principais commodities alimentícias no mercado internacional, vinha de três meses consecutivos de alta até abril, quando atingiu o auge em mais de três anos . O recuo de 0,2% em maio foi um respiro, mas não uma reversão de tendência, já que os valores seguem bem acima do observado em grande parte de 2024 e no começo de 2025.
O economista-chefe da FAO, Maximo Torero, já havia alertado que o aumento da energia e os gargalos logísticos causados pelo conflito no Oriente Médio eram os principais motores da escalada nos preços . Esses problemas não sumiram em maio. Foram apenas temporariamente compensados por um ajuste na oferta de óleos vegetais. Sem as altas nos índices de cereais e açúcar, a queda no índice geral teria sido mais profunda .
O maior destaque do relatório de maio foi o tombo nos preços dos óleos. O Índice de Preços de Óleos Vegetais da FAO caiu para 185,0 pontos, uma redução de 9,0 pontos (4,6%) em relação a abril, marcando a primeira queda mensal em 2026 . Esse movimento veio para corrigir, em parte, o salto de 5,9% registrado no mês anterior, que havia sido inflado pelo impacto da guerra no Irã e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz .
A queda foi generalizada e atingiu os preços internacionais do óleo de palma, soja, canola e girassol. Segundo a FAO, essa desvalorização foi impulsionada por uma combinação de forte produção atual e expectativas de safras abundantes nos principais países produtores, além de uma demanda mais fraca em grandes mercados importadores . A Bloomberg destacou que a redução nos custos do óleo de palma e de soja foi crucial para conter o índice geral de alimentos, mesmo com a disrupção em outros insumos .
Apesar da queda mensal, os preços dos óleos vegetais seguem em patamares historicamente altos e continuam pesando na inflação de alimentos de países dependentes de importações.
Enquanto os óleos deram uma trégua, os cereais subiram. O Índice de Preços de Cereais da FAO avançou em maio, pressionado pelo aperto nas perspectivas de oferta de trigo e pela continuidade dos atritos logísticos . O custo elevado dos fertilizantes, consequência direta da interrupção do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, está encarecendo a produção de grãos para agricultores do mundo todo . Com uma rota essencial para a exportação de fertilizantes bloqueada, as cotações internacionais de cereais ganharam um piso mais alto.
Mas o ponto mais revelador do relatório está nas projeções da FAO para a nova safra. No seu breve sobre oferta e demanda de cereais, a entidade divulgou os primeiros números para a temporada 2026/27, e o cenário é de uma reviravolta e tanto em relação ao recorde de 2025.
Essa guinada de uma safra recorde para uma contração é o sinal mais importante do relatório de maio. Ela indica que, após um ano de reconstrução robusta dos estoques, o mercado global de grãos pode voltar a se apertar.
A guerra no Irã e o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz seguem como a grande ameaça no radar da FAO. Esse canal é um ponto de estrangulamento crítico para o transporte de petróleo, combustíveis e fertilizantes. Com ele bloqueado, o setor agrícola enfrenta uma tempestade de custos:
Em abril, a FAO já havia responsabilizado esses fatores de energia e logística pela sequência de altas . A calmaria de maio nos óleos vegetais não diminuiu em nada o risco de fundo. Pelo contrário, a ameaça agora se volta contra a safra 2026/27, ao afetar a disponibilidade e o custo dos insumos para os agricultores no momento do plantio.
Maio de 2026 será lembrado como o mês em que os preços globais de alimentos mostraram uma resiliência notável a duas forças opostas: um alívio real na oferta de óleos vegetais versus a pressão incessante da guerra sobre as cadeias de suprimento. Os dados da FAO deixam claro que consumidores e produtores ainda não podem contar com um refresco duradouro. A leve queda no índice geral foi puxada por uma única categoria, enquanto os cereais — o alimento mais fundamental — já acendem o sinal de alerta. Com a previsão de queda na colheita global e o Estreito de Ormuz ainda bloqueado, o sistema alimentar mundial caminha sobre um equilíbrio muito frágil.
O que equilibrou a balança foi uma gangorra entre diferentes culturas: a forte desvalorização dos óleos vegetais anulou os aumentos significativos nos preços dos cereais e do açúcar . Enquanto isso, o pano de fundo segue tenso, com os custos elevados de energia e o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima vital, jogando contra a estabilidade dos preços .
O FFPI da FAO, que acompanha as variações mensais das principais commodities alimentícias no mercado internacional, vinha de três meses consecutivos de alta até abril, quando atingiu o auge em mais de três anos . O recuo de 0,2% em maio foi um respiro, mas não uma reversão de tendência, já que os valores seguem bem acima do observado em grande parte de 2024 e no começo de 2025.
O economista-chefe da FAO, Maximo Torero, já havia alertado que o aumento da energia e os gargalos logísticos causados pelo conflito no Oriente Médio eram os principais motores da escalada nos preços . Esses problemas não sumiram em maio. Foram apenas temporariamente compensados por um ajuste na oferta de óleos vegetais. Sem as altas nos índices de cereais e açúcar, a queda no índice geral teria sido mais profunda .
O maior destaque do relatório de maio foi o tombo nos preços dos óleos. O Índice de Preços de Óleos Vegetais da FAO caiu para 185,0 pontos, uma redução de 9,0 pontos (4,6%) em relação a abril, marcando a primeira queda mensal em 2026 . Esse movimento veio para corrigir, em parte, o salto de 5,9% registrado no mês anterior, que havia sido inflado pelo impacto da guerra no Irã e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz .
A queda foi generalizada e atingiu os preços internacionais do óleo de palma, soja, canola e girassol. Segundo a FAO, essa desvalorização foi impulsionada por uma combinação de forte produção atual e expectativas de safras abundantes nos principais países produtores, além de uma demanda mais fraca em grandes mercados importadores . A Bloomberg destacou que a redução nos custos do óleo de palma e de soja foi crucial para conter o índice geral de alimentos, mesmo com a disrupção em outros insumos .
Apesar da queda mensal, os preços dos óleos vegetais seguem em patamares historicamente altos e continuam pesando na inflação de alimentos de países dependentes de importações.
Enquanto os óleos deram uma trégua, os cereais subiram. O Índice de Preços de Cereais da FAO avançou em maio, pressionado pelo aperto nas perspectivas de oferta de trigo e pela continuidade dos atritos logísticos . O custo elevado dos fertilizantes, consequência direta da interrupção do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, está encarecendo a produção de grãos para agricultores do mundo todo . Com uma rota essencial para a exportação de fertilizantes bloqueada, as cotações internacionais de cereais ganharam um piso mais alto.
Mas o ponto mais revelador do relatório está nas projeções da FAO para a nova safra. No seu breve sobre oferta e demanda de cereais, a entidade divulgou os primeiros números para a temporada 2026/27, e o cenário é de uma reviravolta e tanto em relação ao recorde de 2025.
Essa guinada de uma safra recorde para uma contração é o sinal mais importante do relatório de maio. Ela indica que, após um ano de reconstrução robusta dos estoques, o mercado global de grãos pode voltar a se apertar.
A guerra no Irã e o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz seguem como a grande ameaça no radar da FAO. Esse canal é um ponto de estrangulamento crítico para o transporte de petróleo, combustíveis e fertilizantes. Com ele bloqueado, o setor agrícola enfrenta uma tempestade de custos:
Em abril, a FAO já havia responsabilizado esses fatores de energia e logística pela sequência de altas . A calmaria de maio nos óleos vegetais não diminuiu em nada o risco de fundo. Pelo contrário, a ameaça agora se volta contra a safra 2026/27, ao afetar a disponibilidade e o custo dos insumos para os agricultores no momento do plantio.
Maio de 2026 será lembrado como o mês em que os preços globais de alimentos mostraram uma resiliência notável a duas forças opostas: um alívio real na oferta de óleos vegetais versus a pressão incessante da guerra sobre as cadeias de suprimento. Os dados da FAO deixam claro que consumidores e produtores ainda não podem contar com um refresco duradouro. A leve queda no índice geral foi puxada por uma única categoria, enquanto os cereais — o alimento mais fundamental — já acendem o sinal de alerta. Com a previsão de queda na colheita global e o Estreito de Ormuz ainda bloqueado, o sistema alimentar mundial caminha sobre um equilíbrio muito frágil.