O esforço custou mais de US$ 40.000 em tokens de computação de IA, financiados pela OpenSats (uma organização sem fins lucrativos 501(c)(3)), OpenCode e AnchorWatch . A equipe usou um sistema de segurança personalizado que, em certo ponto, continha 171.599 linhas de código, integrando modelos de IA de ponta como Kimi K3, GPT Sol, Fable, Opus e GLM5.2 para realizar análise estática automatizada
.
Até 14 de agosto de 2026 — após 108 horas de trabalho — a equipe havia expandido a revisão para 501 projetos e registrado 7.958 achados no total, com 1.280 classificados como altos ou críticos .
O Bitcoin Red Team operou como uma equipe globalmente distribuída, trabalhando 24 horas por dia em diferentes fusos horários . O processo combinou a varredura de código orientada por IA com supervisão humana, mas o volume de resultados criou um gargalo significativo de verificação.
Taxa de reprodução. Nas primeiras 29,8 horas, apenas 21,4% dos achados foram reproduzidos com sucesso por revisores humanos — o que significa que a grande maioria permanecia como problemas potenciais não verificados . Na marca de 108 horas, a reprodução subiu para 24,7%
. A equipe enfatizou que essas classificações iniciais de gravidade representavam avaliações preliminares, não vulnerabilidades confirmadas
.
Reporte upstream. Menos de 5% dos 390 projetos revisados haviam recebido divulgação upstream de seus achados no momento do relato inicial, indicando um backlog substancial na divulgação responsável . A equipe seguiu um processo rigoroso de divulgação: achados críticos foram reportados privadamente aos mantenedores antes de qualquer divulgação pública, e a equipe construiu provas de conceito funcionais para confirmar as vulnerabilidades antes da divulgação
.
Categorias de projeto mais afetadas. Ferramentas de privacidade e coinjoin apresentaram a maior proporção de achados de alta ou crítica gravidade, com 24% . Bibliotecas criptográficas e SDKs produziram o maior volume bruto, com 1.101 achados no total
.
A auditoria do Bitcoin Red Team foi uma resposta direta à vulnerabilidade no gerador de números aleatórios (RNG) da carteira física Coldcard — uma falha crítica de firmware na Coldcard da Coinkite que, silenciosamente, roteava a geração de seed através de um PRNG de software fraco, em vez da aleatoriedade de hardware, de março de 2021 a 2026 . A exploração possibilitou o roubo de aproximadamente 1.816 BTC (mais de US$ 100 milhões) de detentores de longo prazo
.
Embora o bug do Coldcard em si tenha sido descoberto antes da formação do Red Team, o incidente demonstrou o quão devastadora uma única vulnerabilidade não corrigida em um dispositivo de armazenamento a frio amplamente confiável poderia ser. A Coinkite lançou um firmware corrigido após a divulgação da vulnerabilidade .
A auditoria do Red Team foi a resposta do ecossistema: múltiplos achados da varredura assistida por IA — incluindo problemas críticos em ferramentas de privacidade e software coinjoin — foram posteriormente corrigidos pelos mantenedores após a divulgação responsável .
A escala e a gravidade dos achados do Bitcoin Red Team provocaram uma resposta coordenada da indústria. Em 10 de agosto de 2026, o Bitcoin Policy Institute (BPI) publicou uma carta aberta assinada por mais de 70 organizações de todo o ecossistema de ativos digitais, pedindo que os laboratórios de IA de ponta tomassem ações específicas .
Entre os signatários estavam grandes custodiantes, exchanges, empresas de mineração e grupos de desenvolvimento de código aberto: Coinbase, Strategy (antiga MicroStrategy), Block, MARA, Galaxy, BitGo, Brink, OpenSats, Trezor, Kraken, Ledger, Anchorage Digital e Chaincode Labs, entre outros .
O argumento central da carta era que "os defensores do código aberto hoje ocupam a posição menos privilegiada no cenário de segurança de IA" . As principais demandas foram:
A coalizão alertou que, sem esse acesso, a infraestrutura financeira crítica construída sobre software Bitcoin de código aberto enfrenta uma ameaça assimétrica crescente, onde os atacantes operam com ferramentas de IA superiores enquanto os defensores são excluídos .
A auditoria do Bitcoin Red Team demonstrou tanto o poder quanto as limitações da varredura de segurança assistida por IA. A capacidade de sinalizar quase 5.000 problemas potenciais em 390 projetos em pouco mais de um dia não tem precedentes — mas as baixas taxas de reprodução e divulgação revelaram que a verificação humana e a divulgação responsável continuam sendo os gargalos críticos .
A equipe declarou planos de tornar seu sistema de segurança de IA de código aberto para fortalecer a defesa em todo o ecossistema . Isso permitiria que a comunidade mais ampla de desenvolvedores Bitcoin executasse varreduras semelhantes de forma independente, potencialmente transformando um sprint único em uma prática de segurança duradoura.
A questão fundamental que permanece sem resposta: se os defensores obterão as ferramentas de IA de que precisam antes dos atacantes.