Nikolich classificou o ensaio como "aventureiro demais" dada a imaturidade da ciência . Especialistas independentes que revisaram o caso posteriormente expressaram preocupação de que os sinais de segurança nos estudos com animais podem ter sido ignorados e que o ensaio não deveria ter prosseguido
. Os pais da menina pagaram mais de US$ 860.000 para financiar o trabalho pré-clínico, um acordo financeiro que não foi divulgado no artigo da Nature que detalhava os estudos em animais
.
A morte nunca foi reportada publicamente até que a Science e o Retraction Watch publicaram conjuntamente uma investigação em 23 de julho de 2026 . A Faculdade de Medicina da Universidade Jiao Tong de Xangai subsequentemente lançou uma investigação abrangente
.
O segundo caso envolveu um menino com distrofia muscular de Duchenne que morreu em Xangai em agosto de 2025 após receber uma alta dose da terapia de edição genética CRISPR da HuidaGene Therapeutics em um ensaio pioneiro em humanos . A empresa atribuiu a morte à síndrome do desconforto respiratório agudo como parte de uma reação imunológica grave à terapia
. Os registros do ensaio clínico mostram que o estudo inscreveu apenas meninos de 4 a 8 anos
.
Nikolich levantou um desafio biológico fundamental que está na base de ambas as tragédias: os cientistas ainda "não sabem precisamente como a alteração de um gene afetará todo o corpo" . Embora as técnicas sejam razoavelmente bem estabelecidas em experimentos com animais, Nikolich disse que elas "realmente não amadureceram o suficiente para estudos em humanos"
.
Essa lacuna no entendimento é particularmente aguda para terapias do sistema nervoso, onde os efeitos da edição de genes no cérebro ou na medula espinhal podem se propagar por redes neurológicas complexas de maneiras imprevisíveis. As reações imunológicas graves observadas em ambos os casos de Xangai destacam um risco crítico de segurança: o sistema imunológico do corpo pode montar uma resposta fatal aos vetores virais usados para administrar a maquinaria de edição, mesmo quando os dados pré-clínicos parecem gerenciáveis .
As mortes não divulgadas reabriram o debate sobre como as agências reguladoras devem supervisionar os ensaios iniciados por investigadores, um caminho que permitiu testes acelerados em humanos na China com menos supervisão do que os ensaios clínicos padrão . Modelos de ensaios acelerados semelhantes estão agora sendo debatidos nos Estados Unidos e na Europa
. Especialistas enfatizam que a divulgação rápida e a investigação honesta das fatalidades são fundamentais para manter a confiança pública nas terapias de edição genética
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A avaliação de Nikolich sugere que um consenso amplo está se formando: a promessa das tecnologias CRISPR e de edição de base é real, mas a pressa para testar em humanos ultrapassou a ciência. Até que os pesquisadores possam prever e controlar como uma edição genética afetará o organismo inteiro — e não apenas o tecido alvo — os testes em humanos continuam sendo um empreendimento de alto risco.
Para as famílias que enfrentam condições genéticas devastadoras, a espera é dolorosa. Mas a mensagem de Nikolich é clara: a paciência não é apenas prudente — é necessária para evitar repetir tragédias que poderiam minar todo o campo.