Para Rand Fishkin, cofundador da SparkToro, o recado é direto: menos de um terço das buscas no Google agora envia uma visita para a web aberta .
A análise de Fishkin aponta diretamente para as respostas geradas por inteligência artificial do Google. As chamadas Visões Gerais de IA (AI Overviews) já aparecem em mais de 20% de todas as buscas. Pior: quando isso acontece, a taxa de cliques (CTR) despenca em quase 60% . O estudo classifica a alta nas buscas sem clique como “quase certamente impulsionada pelo enorme crescimento das Visões Gerais de IA”
.
Vale destacar que a pesquisa não tenta isolar com precisão quanto do aumento total entre 2024 e 2026 pode ser atribuído apenas às Visões Gerais de IA . Outros fatores, como snippets em destaque, painéis de conhecimento e até a mudança de comportamento do usuário, também contribuem para o cenário.
O novo Modo IA do Google, que transforma a página de resultados em uma interface de conversa, ainda teve um papel pequeno no período do estudo, com presença em só 0,34% das buscas. Mas sua trajetória de crescimento sugere que ele pode acelerar ainda mais essa tendência. Dados da Seer Interactive já mostram que o Modo IA processa quase 1 bilhão de consultas por mês, com uma taxa de zero-clique de 93% .
Outros números reforçam o quadro:
A SparkToro acompanha essa métrica há uma década. Como os painéis de dados usados variaram ao longo dos anos, os números não são perfeitamente comparáveis, mas a direção é inquestionável:
Em dez anos, a taxa de buscas sem clique subiu 23 pontos percentuais — um crescimento relativo de 33,8% . O salto de 2024 para 2026 é o maior em um intervalo de dois anos já registrado. Com as Visões Gerais de IA e o Modo IA ainda em expansão, a trajetória não mostra sinais de estabilização.
A recomendação de Fishkin em um post complementar da SparkToro é pragmática: invista em força de marca e presença nas plataformas onde seu público já passa o tempo, mesmo que esses esforços não gerem cliques diretos de volta para o seu site . Ficar apostando todas as fichas em um SEO tradicional, mirando recuperar volumes históricos de tráfego, é uma estratégia que perde força a cada dia.
As buscas que ainda se beneficiam de forma significativa do SEO são as pesquisas por marca, consultas de negócios locais e buscas transacionais de alta intenção (como “comprar tênis X”) . Para consultas informativas — aquelas que o Google já responde sozinho —, a economia do clique está minguando rápido.
Amanda Natividad, colega de Fishkin, argumenta que os sites vencedores estão se tornando “destinos de verdade”. São lugares onde o usuário completa uma tarefa diretamente — seja comprando, calculando, agendando ou criando algo —, em vez de sites que apenas explicam alguma coisa e apontam para fora .
A conclusão é dura: o Google não é mais um cano confiável de tráfego para a maioria. Construir relações diretas com sua audiência, em plataformas e por meio de experiências que não dependam de um link azul numa página de resultados, já não é mais diferencial — é questão de sobrevivência.