| US$ 399 |
Na prática, a divisão facilita a escolha. O iO prioriza baixo peso, aparência semelhante à de um óculos convencional e informações que podem ser consultadas rapidamente. Já o GT privilegia tamanho de imagem, imersão e visualização espacial — em troca de uma estrutura mais espessa e pesada, menos adequada ao uso contínuo ao longo do dia.
A RayNeo posiciona o iO como um assistente de trabalho para profissionais, executivos e pessoas que costumam usar várias telas. A armação, inspirada no estilo retro Crown Panto, foi desenhada para se parecer mais com um óculos comum do que com um headset. Ela combina liga de magnésio e alumínio AZ91D com hastes de titânio de padrão aeroespacial e pesa 33 gramas.
Uma das decisões mais importantes do projeto é a ausência de câmera. Isso diferencia o iO de produtos com câmera, como os óculos inteligentes da parceria entre Meta e Ray-Ban, e mantém o foco em comandos de voz, transcrição e avisos visuais discretos.
O display do iO usa o motor Firefly Nano Engine e uma waveguide difrativa monocromática verde Blue Lake. Segundo a RayNeo, o sistema oferece 97% de transparência, 1.300 nits de brilho diante dos olhos e campo de visão de 23,5 graus. A proposta é exibir informações curtas — como texto traduzido, dados de reuniões e instruções de teleprompter — e não substituir uma televisão ou uma tela de cinema.
Os recursos de Ambient AI foram desenvolvidos para reduzir a necessidade de pegar o celular durante o trabalho. A empresa afirma que o iO pode registrar informações do contexto, transformar reuniões em listas de tarefas, sugerir alterações no calendário e aceitar alguns comandos por meio de um gesto de confirmação com a cabeça.
De acordo com a cobertura do lançamento, os óculos usam RayNeo AI e Gemini 3.1 Flash Lite, com possibilidade de alternar entre Gemini, ChatGPT, Claude e DeepSeek.
Para tradução, a RayNeo integra o BabelOS 3.0, da Timekettle. A fabricante afirma que o sistema oferece tradução simultânea para 55 idiomas e 109 sotaques, com latência aproximada de um segundo. Esses números são declarações da empresa e não foram verificados de forma independente nos materiais disponíveis.
O sistema de áudio do iO também foge do padrão de muitos óculos inteligentes. Em vez de depender de alto-falantes, o modelo usa quatro microfones e um sensor de condução óssea para isolar a voz do usuário e ajudar na transcrição em ambientes barulhentos.
A bateria de 240 mAh tem autonomia declarada de até dois dias em uso comum, 18 horas de gravação contínua ou 6,2 horas de tradução contínua. Na prática, o resultado dependerá da intensidade de uso do display, dos microfones e dos recursos de IA.
O preço público do RayNeo iO não foi estabelecido de maneira consistente nos relatos sobre o lançamento. Parte da cobertura informou que o valor ainda seria anunciado, enquanto outra citou preço inicial de US$ 479. Até que a RayNeo divulgue um preço regional definitivo, a conclusão mais segura é que o valor de lançamento do iO continua indefinido.
Os modelos GT seguem outro caminho. Suas armações maiores e mais espessas foram pensadas para sessões concentradas de jogos, filmes, trabalho e entretenimento durante viagens. Eles não são apresentados como substitutos discretos de óculos comuns, como o iO.
Os dois modelos usam o chip de imagem Vision 4000 e o chip Zone 360, responsável pelo rastreamento da tela em três graus de liberdade (3DoF). A plataforma oferece modos de visualização estabilizado, fixado no espaço e acompanhado pelo movimento da cabeça. Ambos contam ainda com quatro alto-falantes ajustados em parceria com a Bang & Olufsen, áudio espacial com rastreamento da cabeça e o modo direcional Whisper Mode.
O GT convencional pesa 68 gramas e usa um sistema óptico Birdbath. Ele oferece campo de visão de 46 graus e pode criar uma tela virtual equivalente a até 231 polegadas, tornando-se a opção mais compacta e acessível para quem quer uma tela privada grande.
O GT Max aumenta o peso para 78 gramas, mas amplia o campo de visão para 59 graus. O modelo usa o sistema óptico Peacock Optical Engine 3.0 Max e um display Tandem MicroOLED de quinta geração e meia. O usuário pode escolher telas virtuais equivalentes a 227, 267 ou 307 polegadas; há também três opções de distância interpupilar.
O campo de visão mais amplo é a principal diferença de hardware entre os dois modelos. O GT Max mira quem quer uma imagem mais abrangente para jogos e vídeos, enquanto o GT convencional abre mão de parte da imersão para oferecer menor peso e preço mais baixo.
A RayNeo afirma que o sistema GT oferece reprodução nativa de Dolby Vision quando combinado ao RayNeo Pocket TV Pro, um dispositivo separado baseado em Google TV. A empresa também descreve uma conversão de SDR para HDR feita por IA em tempo real. Como o Pocket TV Pro é vendido à parte, o Dolby Vision deve ser entendido como um recurso do ecossistema, e não como algo que necessariamente estará disponível com qualquer fonte de imagem.
Os preços informados para os Estados Unidos são de US$ 299 para o RayNeo GT e US$ 399 para o RayNeo GT Max. As informações sobre os valores da linha GT são mais consistentes do que as referentes ao iO, embora preços regionais e custos de acessórios possam variar.
A RayNeo programou os três modelos — iO, GT e GT Max — para lançamento comercial em 4 de setembro de 2026, pelo site oficial da empresa e por sua loja na Amazon. A companhia também pretende demonstrar os produtos na IFA 2026, em Berlim, no início de setembro.
A RayNeo apresenta o lançamento como uma alternativa deliberada à ideia de um único dispositivo para todos os usos. O iO entra na categoria de assistentes com IA associada aos óculos inteligentes da Meta, mas tenta se diferenciar pela tela integrada, pelo visual mais convencional e pela ausência de câmera. A família GT, por outro lado, disputa o mercado de óculos com tela imersiva, no qual produtos como o XREAL One Pro também atuam.
A empresa também afirma ter alcançado 23,7% dos envios globais de óculos inteligentes de realidade aumentada para consumidores no primeiro trimestre de 2026, citando a Counterpoint Research. Trata-se de uma participação de mercado informada pela própria RayNeo nos materiais fornecidos e, portanto, o número não deve ser interpretado aqui como uma avaliação verificada de forma independente.
A decisão mais estratégica da RayNeo foi separar claramente os usos. O corpo de 33 gramas, a tela transparente e o design sem câmera do iO atacam obstáculos práticos que tornam muitos óculos inteligentes difíceis de usar durante todo o dia ou pouco confortáveis em situações sociais. Os modelos GT fazem a escolha oposta: aceitam uma armação mais pesada e chamativa para entregar uma tela privada muito maior e um campo de visão mais amplo.
O resultado é uma linha mais fácil de entender do que um produto de realidade aumentada que promete fazer tudo. O iO faz mais sentido para alertas discretos de IA, tradução e produtividade. O GT é a alternativa de menor custo para quem quer uma tela privada grande. O GT Max é voltado a quem prioriza o campo de visão mais amplo e a maior tela virtual. A principal dúvida antes do lançamento em 4 de setembro é o preço final do iO — e se a experiência de IA, tradução e bateria corresponderá, no uso cotidiano, às especificações apresentadas no anúncio.