A sessão ganhou contornos ainda mais tensos quando Zhang Chi, membro da delegação de especialistas do Exército de Libertação Popular (ELP) da China, confrontou Teodoro publicamente. Zhang acusou as Filipinas de uma contradição fundamental: apoiar formalmente o COC enquanto, de forma unilateral, envia pessoal para recifes desabitados, violando a Declaração sobre a Conduta das Partes no Mar do Sul da China (DOC, na sigla em inglês) de 2002 . Teodoro não respondeu diretamente à acusação, mas classificou a linha de questionamento como um "discurso de propaganda disfarçado de perguntas", uma réplica que arrancou aplausos de parte da plateia .
Em uma aparição separada no mesmo evento, o Secretário-Geral da ASEAN, Kao Kim Hourn, transmitiu uma mensagem muito diferente. Ele expressou otimismo de que as negociações do COC poderiam ser concluídas ainda este ano, ressaltando que tanto os estados-membros da ASEAN quanto a China permanecem "comprometidos em avançar com as conversas" . Kao reiterou que finalizar o acordo até 2026 atende aos interesses estratégicos de todas as partes envolvidas e que os planos de trabalho estão em andamento .
O otimismo de Kao é consistente com suas declarações públicas anteriores. No final de 2025, ele descartou a ideia de que as tensões bilaterais entre as Filipinas e a China estivessem entre as questões substantivas que atrasam o COC, afirmando ter "toda a confiança" de que o texto seria finalizado . Seu tom reflete o papel tradicional do Secretariado da ASEAN de manter os processos diplomáticos vivos e publicamente encaminhados, mesmo quando persistem discordâncias privadas entre os membros e com Pequim. Essa postura institucional também se alinha com a mensagem diplomática de Pequim; o Ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, encontrou-se com Kao em julho de 2025 para pedir que os dois lados concluíssem o COC dentro do prazo, classificando-o como uma área-chave de cooperação .
O gritante descompasso de tom entre um secretário de Defesa que vê as negociações como uma armadilha chinesa e um secretário-geral que as vê como uma meta viável de curto prazo ilustra o malabarismo diplomático que define as iniciativas da ASEAN em segurança marítima.
O drama público não deve obscurecer o impasse substantivo. Embora a ASEAN e a China tenham finalizado um texto-base único de negociação em 2022 — frequentemente citado como um marco —, o texto permanece confidencial e várias disputas críticas seguem sem solução:
A Malásia, que ocupa a presidência da ASEAN em 2026, teria feito do COC uma prioridade, pressionando por um esboço final durante seu mandato . No entanto, até junho de 2026, não há qualquer evidência pública de um texto finalizado e acordado. O próprio Kao reconheceu que negociar o texto "não é uma tarefa fácil" e que "muitas questões precisam ser resolvidas" .