Nickolay Mladenov descreveu a aceitação, em 30 de julho, do roteiro de cessar-fogo para Gaza pelo Hamas como um possível avanço histórico — não como uma rendição já concluída. Pelo plano de 15 pontos, o Hamas e outras facções armadas palestinas concordaram em princípio em abrir mão de suas armas e transferir a autoridade civil e de segurança para uma administração transitória.
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A diferença é fundamental: o acordo criou uma estrutura para a implementação, mas as armas ainda não foram entregues e o processo previsto não começou.
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O que o roteiro prevê
O plano parte da ideia de que Gaza deve ter uma única autoridade governante, encerrando o controle militar, policial e administrativo do Hamas. Seus princípios incluem a fórmula “uma autoridade, uma lei e uma arma”. O órgão indicado para exercer o governo durante a transição é o Comitê Nacional para a Administração de Gaza — conhecido pela sigla em inglês NCAG.
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O desarmamento não seria imediato, mas realizado em fases. O roteiro também vincula o avanço da retirada e da desativação das armas a medidas recíprocas de Israel, incluindo a retirada de suas forças de Gaza. Um comitê de implementação formado pelos mediadores verificaria cada etapa antes do início da seguinte.
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É nesse contexto que Mladenov afirmou que Gaza “não pode ser desarmada em duas semanas”. A declaração indica que o acordo prevê um processo gradual, com verificação e ações correspondentes dos dois lados — e não uma entrega unilateral e instantânea das armas.
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Por que a implementação está travada
O principal bloqueio envolve a ordem das etapas e a falta de confiança. O roteiro prevê desarmamento progressivo em paralelo à retirada israelense. Israel, porém, mantém a posição de que o Hamas precisa ser totalmente desarmado e ter sua infraestrutura militar desmantelada antes que qualquer retirada possa ocorrer.
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A vice-embaixadora de Israel na ONU, Noa Furman, declarou que o “desarmamento deve vir primeiro”. Ela acusou o Hamas de reconstruir sua capacidade militar e de violar o cessar-fogo, afirmando que o grupo deveria ser avaliado por suas ações.
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Mladenov adotou uma posição diferente ao alertar que a continuidade dos ataques israelenses colocava em risco a estrutura do cessar-fogo. Ele também criticou as restrições que afetam a entrada de ajuda humanitária e materiais para abrigos. As evidências disponíveis sustentam essas preocupações gerais, mas não comprovam de forma independente todos os detalhes de reuniões, prazos ou explicações políticas mencionados na pergunta original.
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Assim, a aceitação do Hamas continua sendo um compromisso político, não uma entrega operacional das armas. O período de 14 dias previsto para estabelecer um cronograma de desarmamento gradual e retirada israelense ainda não começou.
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O alerta de Mladenov sobre um possível colapso
Mladenov afirmou que a continuidade da violência pode empurrar Gaza para um “ponto sem retorno”, deixando potencialmente nada para reconstruir caso o plano de cessar-fogo fracasse.
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Ele também advertiu ao Conselho de Segurança que Gaza “não tem outra catástrofe para suportar”. O alerta apresentou o impasse como uma emergência política e humanitária: sem um cessar-fogo funcional, as medidas de reconstrução e de reorganização do governo não conseguem avançar.
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O papel da força internacional proposta
O roteiro prevê uma Força Internacional de Estabilização para ajudar a supervisionar a desativação das armas. A missão seria enviada caso a situação no terreno se tornasse suficientemente estável, e não como substituta imediata de um acordo entre Israel e Hamas.
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O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, disse ao Conselho de Segurança que tropas e pessoal de países parceiros estavam previstos para chegar a Gaza para ajudar a manter a paz, embora o deslocamento estivesse mais lento do que Washington desejava. Segundo relatos sobre suas declarações, Uganda, Marrocos e Cazaquistão haviam oferecido milhares de soldados.
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A força proposta, contudo, não resolve a disputa central. Israel continua defendendo que o desarmamento venha antes da retirada, enquanto o roteiro depende de medidas recíprocas e verificadas dos dois lados. Enquanto essa questão de sequência não for resolvida, o papel e o envio da força continuarão condicionados a circunstâncias que ainda não foram criadas.
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O que está em jogo
A mensagem de Mladenov foi cautelosamente otimista, mas direta: a aceitação do roteiro pelo Hamas em 30 de julho abriu uma oportunidade inédita para o desarmamento e a criação de um governo civil, mas não concluiu nenhum dos dois processos.
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A implementação está parada porque as partes discordam sobre o que deve acontecer primeiro, nenhum dos lados cumpriu integralmente seus compromissos e a continuidade da violência vem enfraquecendo as condições necessárias para a verificação e a retirada. O roteiro ainda pode servir como caminho para avançar, mas os alertas de Mladenov deixam claro que sua sobrevivência depende de transformar o compromisso político em um processo monitorado antes que o cessar-fogo desmorone.