Os desastres naturais provocaram quase US$ 112 bilhões em perdas econômicas no mundo entre janeiro e junho. O valor ficou pouco abaixo da média, corrigida pela inflação, dos primeiros semestres dos dez anos anteriores, de US$ 113 bilhões .
As perdas cobertas por seguros somaram aproximadamente US$ 44 bilhões, o que deixou uma lacuna de proteção de 60% — parcela dos prejuízos que não contava com cobertura de seguro .
Mesmo com o total global relativamente contido, o período foi marcado por episódios severos:
De acordo com a empresa, o El Niño já está se fortalecendo no oceano Pacífico. O padrão climático, que modifica as temperaturas e as condições atmosféricas na região, pode contribuir para temperaturas mais altas e clima extremo em várias partes do mundo .
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos estima que o próximo Super El Niño possa ser um dos mais fortes em mais de 75 anos .
“É uma mistura perigosa: enquanto o aquecimento global continua, o mundo também caminha para um Super El Niño, que elevará ainda mais as temperaturas. Os efeitos provavelmente serão sentidos claramente no segundo semestre do ano”, afirmou Tobias Grimm, principal cientista climático da Munich Re .
A previsão de maior preocupação é para o fim de 2026, quando as condições do El Niño podem alcançar níveis recordes. O período de maior intensidade é esperado entre novembro e janeiro .
A Munich Re afirmou que o El Niño não aumenta os riscos da mesma maneira em todos os lugares: ele pode deslocar a distribuição de eventos extremos pelo planeta. A Ásia-Pacífico aparece como uma das regiões mais expostas no segundo semestre de 2026.
Achim Kassow, integrante do conselho da Munich Re responsável por Ásia-Pacífico, Oriente Médio e África, afirmou que a região deve se preparar para “um risco maior de tufões no Japão e na Coreia do Sul”, além de ondas de calor, secas e incêndios florestais no Sudeste Asiático, na Índia e na Austrália .
A leitura da Munich Re é que os números dos primeiros seis meses não devem ser interpretados como sinal de uma temporada tranquila. O período teve perdas próximas da média e bem inferiores às de anos recentes em algumas regiões, mas a formação do Super El Niño pode aumentar a frequência ou a intensidade de determinados eventos no restante do ano.
“O ponto principal é que o El Niño desloca a distribuição dos riscos relacionados ao clima pela Ásia. Muitas partes da Ásia-Pacífico estão sujeitas a riscos elevados de catástrofes naturais no segundo semestre de 2026”, concluiu a Munich Re .
Para governos, comunidades e o setor de seguros, a combinação de temperaturas recordes, eventos extremos mais intensos e uma lacuna de proteção de 60% representa um desafio adicional. A relativa calmaria do primeiro semestre pode, portanto, anteceder uma segunda metade de 2026 mais difícil.