A crise, como descrita por Ben-Sasson, é um paradoxo doloroso. De um lado, muitos desenvolvedores veteranos e pioneiros que construíram a cultura cripto estão, agora, optando por deixar o setor. Do outro, justamente aquelas instituições e entidades das finanças tradicionais (TradFi) que o movimento original cripto queria combater estão, enfim, mostrando um interesse sério e entrando no mercado [10, 37, 39].
A indústria, sugeriu Ben-Sasson, agora luta para responder a uma pergunta fundamental: Se os primeiros rebeldes se foram e a velha guarda está se tornando o novo cliente, pelo que as criptomoedas de fato lutam?
A tese radical de Samani não é puramente acadêmica. Como Presidente do Conselho da Forward Industries (NASDAQ: FORD), ele está executando ativamente essa visão na escala de uma empresa de capital aberto.
A Forward Industries se recapitalizou em setembro de 2025 por meio de um investimento privado em capital aberto (PIPE) de US$ 1,65 bilhão, liderado por gigantes como Galaxy Digital, Jump Crypto e a própria Multicoin Capital. A nova estratégia da empresa é operar como uma “empresa de tesouraria de ativos digitais focada em Solana”, que ela descreve como um esforço para “comprar, manter, fazer staking, negociar, investir e expandir o SOL e ativos digitais, protocolos e negócios relacionados ao SOL” [1, 17, 23].
Esta estratégia é um produto direto da visão de mundo mais restrita de Samani:
A declaração de Samani de que a “Web3 está morta” não é, portanto, apenas uma frase de efeito provocativa. É a articulação clara de uma tese de investimento que ele está agora colocando em prática com bilhões de dólares em respaldo. Ela aposta que o futuro das criptomoedas não pertence a uma visão ideológica ampla de uma nova internet, mas a uma visão pragmática e focada inteiramente na utilidade financeira [1, 4, 12, 21, 25, 30].