A nova fábrica da LG Energy Solution em Lansing, no estado americano de Michigan, ilustra o desafio industrial que a empresa está enfatizando. O complexo ocupa 226 acres, recebeu investimento superior a US$ 2 bilhões e foi projetado para alcançar mais de 35 GWh de capacidade anual quando estiver operando em plena escala. A unidade atenderá tanto ao mercado de armazenamento de energia quanto ao de veículos elétricos.
A fábrica produz células de íons de lítio de grande formato, em vez de esperar a maturação das baterias de estado sólido. O plano inclui células de fosfato de ferro-lítio (LFP) para sistemas estacionários de armazenamento de energia e células de níquel-manganês-cobalto (NMC) para veículos elétricos, incluindo baterias destinadas ao futuro Toyota Highlander totalmente elétrico.
Essa combinação é reveladora. Ela mostra uma estratégia baseada em químicas e formatos que já podem atender clientes, enquanto a pesquisa em estado sólido continua. Para as fabricantes de baterias, a questão imediata não é apenas qual química oferece o melhor desempenho, mas qual pode ser produzida de forma consistente, abastecida localmente e vendida por um preço aceitável para montadoras e desenvolvedores de sistemas de armazenamento.
A LG também trabalha com a General Motors no desenvolvimento de células prismáticas ricas em lítio-manganês, conhecidas pela sigla LMR. As empresas planejam iniciar a produção comercial nos Estados Unidos em 2028, com a pré-produção prevista para começar antes disso.
A GM afirma que essas células serão destinadas a futuros caminhões e SUVs elétricos de grande porte, com meta de autonomia superior a 400 milhas — cerca de 644 quilômetros — e custo próximo ao de baterias LFP mais baratas. De acordo com as informações divulgadas sobre o programa, a química utiliza mais manganês e menos níquel e cobalto do que alternativas ricas em níquel.
A tecnologia LMR não substitui as baterias de estado sólido. Ela oferece uma resposta diferente à mesma pressão comercial: aumentar a autonomia e reduzir custos usando processos de fabricação mais próximos dos já dominados pela indústria de baterias. A LG também prepara a produção de células cilíndricas da série 46 no Arizona, outro sinal de que a empresa busca formatos de íons de lítio escaláveis enquanto a fabricação de células de estado sólido continua sem solução definitiva.
Algumas concorrentes anunciaram metas que parecem mais ambiciosas do que a previsão da LG para veículos elétricos. BYD e CATL projetam iniciar em 2027 a produção experimental ou-piloto, em pequena escala, de baterias de estado sólido. A Geely afirma que pretende começar testes-piloto em veículos de suas marcas no mesmo ano, após a etapa de validação.
Esses anúncios são relevantes, mas a palavra piloto faz toda a diferença. Uma linha-piloto serve para validar um processo em volume limitado; não é o mesmo que produzir em massa para veículos convencionais. Reportagens sobre os planos da CATL indicam que o uso em larga escala no mercado deve ficar para depois, por volta de 2030 ou mais tarde. No caso da Geely, o cronograma de testes-piloto não determina quando as baterias de estado sólido serão acessíveis em grandes volumes automotivos.
Outros programas também avançam por meio de testes, protótipos, amostras ou avaliações planejadas em veículos. Mercedes-Benz e BMW testam baterias de estado sólido, enquanto a Stellantis planeja iniciar testes. Essas iniciativas representam desenvolvimento e validação, mas ainda não comprovam uma produção em massa com alto rendimento, custo competitivo e confiabilidade automotiva.
A leitura mais prudente das declarações de Lee aponta para um processo de adoção em fases:
Assim, a posição da LG é mais cautelosa do que contraditória. A empresa não está descartando as baterias de estado sólido; está separando o potencial técnico da prontidão industrial. Os programas de Lansing e de baterias LMR, LFP, NMC e cilíndricas seguem a mesma lógica comercial: tecnologias de íons de lítio que possam ser fabricadas em escala provavelmente continuarão moldando o restante desta década, enquanto as baterias de estado sólido para carros elétricos ainda dependem da resolução do problema de produção em grande formato.